segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
E-BOOK | Refletir o Ensino do Esporte
CURSO DIGITAL | MÉTODO DE ENSINO DO ESPORTE - Temporada 1
O curso digital MÉTODO DE ENSINO DO ESPORTE - Temporada 1 constitui-se de uma iniciativa do Instituto Esporte Vale que vem procurando contribuir formação profissional de professores de educação física, em especial os com interesse em atuar com competência na área de ensino do esporte. A Temporada 1 do curso digital MÉTODO DE ENSINO DO ESPORTE é composta por sete módulos reflexivos que abordaram as questões pertinentes ao processo de ensino e aprendizado do esporte, baseando-se em experiências práticas e nos estudos dos especialistas do tema em questão.
O curso digital MÉTODO DE ENSINO DO ESPORTE - Temporada 1 é composto pelos seguintes módulos:
Apresentação;
Fenômeno Esportivo;
Definição do Esporte;
Método | Parcial e Global;
Plano de Ensino;
Papel dos Pais;
Papel do Professor;
Pedagogia do Esporte.
Link de acesso ao Curso Digital MÉTODO ENSINO DO ESPORTE - Temporada 1
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Instituto Esporte Vale
Acreditamos no poder transformador do esporte
#institutoesportevale #ievale
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Boas Festas e Feliz 2021
Neste ano de 2020, que está chegando ao fim, foi um ano de
muitas adversidades, dificuldades e principalmente de muito aprendizado. Em março, com o início da pandemia, não sabíamos como remontar nossa estrutura, que é essencialmente
presencial, que chegamos a conclusão que não abriremos
mão do nosso formato, mas, é certo que iremos repensar algumas das nossas ações futuras.
Entendemos que a alternativa do remoto/digital seria a melhor opção para o momento, apostamos, pois tínhamos que continuar desenvolvendo o nosso trabalho de forma segura,
sem colocar vidas em risco, assim, sem entender do que se tratava o formato
digital/remoto, migramos com a esperança de contribuir para a formação dos profissionais
do ensino do esporte, assim, continuar desenvolvendo o nosso trabalho, foi um
grande desafio.
E saldo do desafio foi positivo, neste ano criamos o Blog do
IEVALE em abril e atingimos 100 publicações de artigos, planejamos diálogos que
resultou em oito maravilhosas lives com especialistas, realizadas entre os meses
de maio e junho, por fim, na primeira quinzena de setembro realizamos de forma
remota a nossa II Jornada da Pedagogia do Esporte, evento que reuniu 11
especialistas que debateram e discutiram de forma intensa o ensino do esporte. Todas essas produções estão registradas e encontram-se disponíveis em nossas redes sociais.
Siga o Instituto Esporte Vale nas redes sociais:
Ressaltamos foi um ano de muitas dificuldades e sofrimento
para todo o mundo. Seguiremos nos esforçando para continuar com a nossa proposta de
contribuir com debates, discussões e diálogos qualitativos e pertinentes ao ensino
do esporte, sem saber se será presencial ou remota/digital, mas com a certeza que iremos continuar buscando caminhar lado a lado dos
profissionais que buscam ser competentes e excelentes no ensino do esporte.
Por fim, gostaríamos de aproveitar para agradecer, imensamente, todos
que acreditaram e apoiaram no nosso trabalho, vocês foram e são fundamentais para
continuarmos motivados na buscar pelo avanço das propostas, planos, projetos, estruturas,
métodos e técnicas de ensino do esporte.
Boas festas e um feliz 2021 a todos!
O papel das Escolas de Esportes na formação da criança
Texto escrito por Elcio Júnior
Com o crescimento das cidades, ocorreu uma grande perda para nossa sociedade sendo nossas crianças e jovens os mais prejudicados, pois este desenvolvimento fez com que acabassem os espaços como campos de várzea, ruas tranquilas, praças entre outros lugares onde se constituíam vários atletas para o esporte brasileiro.
O aumento da violência nas últimas décadas é um fator que também contribuiu de forma muito significativa para que gerações posteriores a década de 80 não tivessem a oportunidade de jogar bola e brincar na rua, com um grande aumento de horas à frente da televisão, vídeo game, computadores e atualmente dos celulares (REZER, 2006).
Com esses espaços perdidos e com poucas possibilidades, surgem as Escolas de Esporte, com o objetivo de preencher de uma maneira educativa e recreativa, o vazio que ficou no processo educacional de nossas crianças e jovens (MOTTA, 2001).
O profissional que está a frente de uma Escola de Esporte, precisa entender que o grande desafio do trabalho é proporcionar a vivência esportiva para o maior número de crianças possível e não ficar preso na busca pelo resultado, que fará com que o processo seja excludente e muitas vezes traumático para a criança.
A busca por resultados em uma única modalidade deve ser algo pensado no futuro, quando o objetivo for a formação de atleta, pensar de uma maneira equivocada, antes do período adequado, faz com que o processo de iniciação esportiva deixe de pensar no que realmente se faz necessário no primeiro momento como o desenvolvimento de fatores como companheirismo, participação, autonomia, criatividade, além da obtenção de uma boa base motora.
Segundo Arena e Bohme (2000) a promoção de atividades esportivas com crianças indicam que o profissional que trabalha com esse público necessita compreender que começar cedo no esporte não é necessariamente começar precocemente o treinamento e a competição regular de uma única modalidade. Pelo contrário, o início da prática esportiva generalizada de diferentes esportes é um aspecto positivo, no sentido de que a preparação esportiva do jovem deve ser um processo permanente de longo prazo. Uma formação esportiva iniciada nos primeiros níveis de escolaridade, desenvolvida por professores de Educação Física preparados, e tendo como principal objetivo o desenvolvimento global e harmonioso da criança, o respeito à individualidade biológica, o conhecimento das particularidades de cada modalidade esportiva, se constituem pressupostos imprescindíveis não apenas para o desenvolvimento ideal como também para a criação de condições ótimas para o rendimento de alto nível.
A prática pedagógica em Escolas de Esportes necessita ser direcionada para um rumo que as crianças sejam tratadas como crianças, e não como mini atletas. Cumpre estabelecer uma diferença de procedimentos em relação ao esporte de alto nível e ao esporte para crianças (não apenas adaptativo), de maneira que o mundo adulto seja percebido apenas como referência, os conteúdos, processos e meios sejam diferentes não apenas na intensidade, mas também na essência e na profundidade do comprometimento com um projeto que a construção de situações que contribuam com a formação de um ser humano competente, crítico e responsável (REZER; SHIGUNOV, 2004).
Segundo Filgueira (2006) o jogador de qualidade é aquele que vivencia um número enorme de possibilidades e, para cada situação do jogo, ele encontra a melhor. O jogador de hoje tem poucas possibilidades, impostas por rotinas exaustivas e limitadas, portanto, formando um jogador de pouca qualidade, o que torna o jogo de menor qualidade com movimentos estereotipados, sem qualidade. Por isso, estamos cada vez mais frequentemente vendo jogadores de baixo nível técnico e equipes de péssima qualidade.
Para as crianças terem uma vida esportiva prolongada chegando ao esporte de alto rendimento, torna-se necessário que suas experiências motoras e de iniciação esportiva sejam positivas, tanto do ponto de vista psicomotor quanto das dimensões afetivas, sociais e cognitivas.
Todos esses aspectos citados anteriormente nos levam a repensar da prática de iniciação esportiva em Escolas de Esporte, visando despertar na criança o gosto pela prática esportiva e consequentemente pela atividade física, utilizando-se de uma metodologia que considere o esporte em sua forma global, que busca autonomia do aluno em seus atos e decisões, em harmonia com o desenvolvimento integrado e simultâneo das capacidades coordenativas técnicas, físicas sociais e psicológicas (GRECO; BENDA, 2001).
Enfim, as Escolas de Esportes precisam entender o verdadeiro sentido do processo de iniciação esportiva, não deixando o esporte ser pensado, praticado e ensinado com vantagens e privilégios concedidos a poucos e exclusão de outros, ou seja, é direito comum de todos terem uma formação esportiva rica e repleta de possibilidades.
O professor Elcio Júnior é especialista em Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo (ESC); Treinamento Desportivo (CEFIT); e Treinamento de Força e Musculação (CEFIT). Coordenador de Esportes do Clube Comercial de Lorena. Coordenador da Pós-Graduação em Ciência do Esporte (UNIFATEA/SPORT TRAINING) Lorena; Docente no curso de Educação Física no UNIPLAN.
domingo, 20 de dezembro de 2020
A Geografia e o Esporte – A serviço do poder
Texto escrito por Rogério Ribeiro
Nascida, criada, idealizada no século XIX com a função de servir ao “Estado“ como forma de manter o “status quo“, este inicialmente germânico, a ciência geográfica foi moldada por ideias, projetos, metas de um século marcado por conquistas tanto no plano ideológico, como no plano territorial.
Qual o papel da Geografia hoje, em pleno século XXI, passado mais de duzentos anos de seu nascimento?
Moldada para servir ao Estado, com o papel de dominar outros povos, seja através do uso militar, buscando o “ espaço vital “ colocado por Ratzel, ou através da tecnologia, buscando o “gênero de vida“ de Paul Vidal de La Blanche, a Geografia, independente de suas diversas faces, nunca deixou o cenário de conquistas, estando sempre alerta à convocação do Estado.
O espaço vital, como mencionado acima, idealizado por Ratzel, um dos principais integrantes da velha guarda da Geografia, foi emergido na época em que o Estado germânico mantinha suas tropas militares em busca de territórios vizinhos, na alegação que um “Estado só é forte, quando possui terras“, ou seja, o mesmo é essencial para a manutenção do poder. A estratégia de como dominar o inimigo, o melhor caminho, o momento ideal e o melhor ponto, faz da Geografia a ciência fundamental na busca de um novo território, ou seja, na busca do espaço vital.
O gênero de Vida colocado por Vidal de La Blanche, considerado o “pai“ da Geografia Humana, situa-se no mesmo caminho, não tanto pelo uso militar, mas, principalmente pelo uso da tecnologia, do modo de vida, dos costumes, entre outros, como forma de imposição, na busca de um novo gênero de vida.
Dentro desse contexto, o Esporte representou e representa uma ferramenta fundamental para os Estados Nações conquistarem seus espaços vitais e gêneros de vida, seja no aspecto positivo ou negativo. Quando nos deparamos com os campeonatos mundiais e, principalmente com as Olimpíadas, considerado o maior evento esportivo do planeta, temos uma clara nitidez do projeto de domínio proposto pelas principais nações desenvolvidas e emergentes do Mundo.
A disputa por medalhas se entrelaça na disputa por poder, ou seja, a disputa política de um Estado sobre o outro, muitas vezes esquecendo o “Espírito Olímpico“ que deveria se ao principal bandeira das olimpíadas.
Durante a ordem mundial Bipolar e o período da Guerra Fria (1945-1989) essa disputa ficou ainda mais presente e acirrada, onde verdadeiras “máquinas esportivas“ eram criadas nos laboratórios das Universidades, com o objetivo de disputarem os campeonatos mundiais e, assim projetarem politicamente e esportivamente as potências no cenário mundial. Quantos esportistas foram garotos propaganda do Capitalismo e do Socialismo.
A derrota de um atleta representante de uma potência mundial (capitalista ou socialista) era uma “ vergonha “ para o país, demonstrando sinal de fraqueza, empenho ou simplesmente, competitividade. Diversos atletas sofreram verdadeiras humilhações em seus países, enquanto outros, tornaram-se verdadeiros heróis durante o período da Guerra Fria.
Atualmente com a “nova ordem mundial“, ou desordem, como dizem alguns analistas, não temos mais o Mundo dividido em torno de dois polos de poder, mas sobre diversos países e megablocos políticos e econômicos. Não temos mais o Mundo Socialista. Hoje vivemos sobre o espectro das características do Capitalismo. Diante desse contexto, a disputa mundial ficou dissolvida entre várias nações.
Essa multipolaridade demarcou um conjunto de transformações e reorganizou as condições de competição no cenário mundial. Porém, a busca e o domínio do espaço vital e o gênero de vida ainda continua. As principais nações desenvolvidas e emergentes do Mundo disputam cada fatia territorial e humana da superfície terrestre e, o Esporte continua sendo, mesmo em menor escala, como uma ferramenta e um braço das potências nos objetivos dessa conquista.
É preciso que a Geografia e a Ciência Esportiva, atrelada de forma direta ou indireta ao Estado Nação, busquem junto às demais Ciências, uma forma, um caminho, que faça o Homem viver melhor, pois este é o papel da Ciência no Mundo.
O professor Rogério Ribeiro é graduado em Geografia pela UNISAL, graduado em Pedagogia pela UNINOVE, graduado em Gestão Pública pela Kroton e pós-graduado (latos sensu) em Geografia pela UNISAL.
sábado, 19 de dezembro de 2020
Competição e Formação nas categorias de Base do futsal/futebol e suas divergências
Texto escrito por Rodolfo Zanin
Atualmente nas categorias de base do futsal e futebol, podemos ver uma certa ansiedade, onde o vencer tende a vir, a qualquer custo e como prioridade, por parte dos profissionais, pais e gestores de clube excluindo em algumas situações a formação. Claro que ganhar é importante para a criança e para visibilidade de quem desenvolve o trabalho e para a instituição ligada, pois ninguém executa nenhuma ação ou um projeto sem um objetivo prévio de conquistas, mais o que iremos discutir aqui é a forma como se ganha e onde estamos chegando atualmente, e o que nós como profissionais da área de esportes (Futsal/Futebol), que somos influenciadores direto na formação de uma criança estamos entregando de resultado a sociedade e modalidade.
Quando o assunto é competição devemos levar em conta o aspecto humano pois somos em essência competidores desde da corrida pra ovulação dos espermatozoides, onde só teremos um vencedor. Fazendo uma ligação com a vida animal temos a competição nata também, onde na África todos os dias ao nascer do sol um leão para se manter vivo precisa se alimentar e com isso o mesmo precisa ser mais rápido que uma zebra e captura-la para realizar a sua primeira refeição do dia e a presa zebra ao mesmo tempo tem a dura missão de participar deste processo em busca da vitória, pela manutenção da sua existência e de dar sequência em suas gerações como o leão também.
O que quero citar comparando os fatos acima é que a competição é essência seja na vida humana ou na vida animal, mais nós seres humanos como seres racionais, devemos equilibrar o teor competitivo na nossa vida.
Mas agora voltando ao tema principal que é a competição e formação, nas categorias de base do futsal/ futebol devemos dar prioridade somente a competição? Ou doses do grau importância de competir para que tenhamos êxito na formação?
Segundo Leite: o primordial nas categorias de base é a identificação do âmbito social e da faixa etária envolvida no trabalho, onde a metodologia e intensidade de cobrança por resultado devem variar para que competição e formação sejam aliados.
O que de fato é visto hoje, nas categorias de base no nosso país é a divergência entre as ideias e ações de profissionais (técnico/ staff) que executam o trabalho e gestores (coordenação/direção) onde podemos citar vários problemas que atrapalham o processo de formação e o entendimento do verdadeiro valor da competição na formação.
Para Monte o atleta na formação precisa entender o valor da competição e que podemos sim como profissionais, traçar um caminho para se formar vencendo.
Um dos problemas a serem citados e a falta de tempo e o modo execução no desenvolvimento do planejamento algo que o Brasileiro em si, tende a ter dificuldade ao executar, pois exige uma disciplina e recreação de ideias sem perder o objetivo inicial do que foi proposto.
No âmbito do desenvolvimento do trabalho, o profissional que executa muitas vezes falha neste processo devido a pressão pelo resultado imediato, falta de estrutura em algumas situações, pelo próprio ego só em vencer para que se alcance uma maior visibilidade profissional e fatos como estes citados atrapalham em muito o desenvolvimento de atletas, pois em alguns casos, o que se é aplicado como metodologia dentro do planejamento de treino, está fora da realidade da faixa etária e da necessidade real da criança em se desenvolver tratando o assim como um mini adulto.
Devido à alta carga de informações encontradas atualmente nas redes sociais muitos dos profissionais buscam como forma de atualização de metodologia de trabalho, em cursos e vídeos como atividades aplicadas em locais longe da sua realidade, e aí que mora o grande problema, pois temos a dificuldade de organizar ideias e estruturar o que aprendemos ao que necessitamos, pois o treino da equipe x muitas das vezes pode ajudar ou não o trabalho, porque falo isto, pois a realidade de necessidade dos atletas envolvidos são diferentes, deixando bem claro que os vídeos são de grande valia mas será que estamos organizando e aplicando da maneira correta. Pois querendo ou não, é um ponto direto que pode ser prejudicial na formação.
Atrelado aos fatos anteriormente podemos complementar a discussão, com a questão cultural, nosso país só é prestigiado o vencedor (campeão). Muitos pais que em muitas vezes buscam o imediatismo do resultado pois querem o sucesso do teu filho a todo custo ou até a realização de um sonho seu, pessoal, em cima da vida da criança. Fatos que acabam por causar uma bola neve em torno da vida e do desenvolvimento da criança.
O ex-jogador de futebol Alex, em entrevista neste último ano de 2020, no instagram do grande professor Paulo Cesar de Oliveira, citou que trata como primordial a formação e o desenvolvimento da relação com a bola do filho dele, ocasionado assim uma despreocupação sobre o fator prioritário de ser campeão na base, um dos poucos casos visto na atualidade relacionados a pais de atletas.
Vaz cita que professores/treinadores, devem ser agentes transformadores e ensinar/ treinar o ser humano em sua integridade. Entretanto creio que tanto a competição quanto a formação, não podem ser taxadas uma mais importante que a outra e sim devem ser aliadas no processo de vida da criança como atleta e como pessoa, o que pode colaborar para que este processo seja de forma mais sensata, é um melhor entendimento das ações, planejamentos e da forma que é repensado as estratégias por partes dos gestores e professores.
E claro um diálogo sensato para que os pais colaborem no percorrer deste caminho. Pois diferentes de outros países temos dado passos atrás no quesito de descoberta de novos talentos na modalidade e na entrega de seres humanos com valores e autocríticos a sociedade, devido à falta de sensibilidade e gestão destas duas vertentes, temos como exemplo a Alemanha de 2014 que mudou sua forma de fazer e pensar o futebol e colheu os frutos na copa de 2014, tendo 6 (seis) atletas da equipe campeã mundial passando pelas seleções de base até chegar à seleção principal.
Contudo precisamos reciclar a ideia brasileira que sempre pensa no próximo jogo ou no próximo campeonato e traçar planos que entreguem novos talentos no esporte e na vida. E claro continuar discutindo ideias e formas de se fazer o futebol/futsal na base é o primeiro passo.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Natação na pandemia: um caminho metodologicamente possível
Texto escrito por Rafael Espíndola
A natação representa um valioso instrumento que vai ao encontro das necessidades fisiológicas e sociais dos praticantes. Uma prática esportiva que possibilita o trabalho em diferentes segmentos, desde a iniciação (massificação) até o alto rendimento (competição).
Neste contexto, verifica-se que as diferentes abordagens no ensino da natação possibilitam um amplo número de caminhos para a sua prática e consequências na saúde do praticante. Tais caminhos facilitam aos alunos o acesso ao aprendizado. Cada aluno em sua individualidade, buscará percorrer um dos caminhos oferecidos. Esta condição de trabalho vai ao encontro do que Howard Gardner (2000) apresenta na sua teoria das Inteligências Múltiplas: proporcionar diferentes maneiras para que o aluno efetive seu aprendizado.
A Teoria das Inteligências Múltiplas considera as diferentes potencialidades do ser humano por meio de 9 inteligências: Espacial, Musical, Lógico-matemática, Corporal-Cinestésica, Interpessoal, Intrapessoal, Linguística, Naturalista e Existencial. Diferente atividades esportivas estão vinculadas aos tipos de inteligências.
A partir desta pluralidade de mente, Gardner (2000) considera que o ensino por meio de situações problemas/desafios possibilitam a manifestação das diferentes Inteligências. O esporte está pautado em desafios, em situações problemas que devem ser solucionadas, seja na quebra de um recorde ou na vitória contra uma equipe adversária. O desafio é uma palavra inerente do esporte!
A prática da natação está atrelada aos potenciais da Inteligências Corporal-cinestésica, Espacial e Interpessoal. Vale ressaltar que a primeira está relacionada com o movimentos corporais, a segunda com a identificação de espaços e terceira com o conhecimento de si.
Nesta perspectiva, pode-se considerar que o Lúdico desempenha um valioso instrumento para a elaboração de propostas pedagógicas para o ensino da Natação em tempos de pandemia. As brincadeiras representam caminhos possíveis para a aprendizagem dos fundamentos da modalidade a partir de situações problemas.
A adaptação aquática e o aprendizado dos quatros nados (Crawl, Costa, Borboleta e Peito) podem, quando consideradas nesta perspectiva, possibilitar ao profissional de Educação Física, autonomia na criação e elaboração de propostas. Não existe um protocolo a ser seguido.
Nesse cenário, é sabido que a prática regular de atividades físicas auxilia na manutenção de uma vida saudável, potencializando o sistema imunológico e o bom funcionamento do organismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendou recentemente cerca de 300 minutos de atividades físicas semanais. Porém estamos vivendo um período de pandemia que, por diversas vezes, impossibilita a prática dessas atividades.
Embora o alto índice de contaminação do vírus covid-19, especialistas apontam que em ambientes como piscinas (sem aglomeração), não possuem o mesmo grau de proliferação. Isto é, a ação dos produtos químicos presentes na água combatem o vírus. Neste contexto, como pensar o ensino da Natação identificando o potencial de cada aluno?
Os diferentes contextos e os conhecimentos dos alunos serão primordiais para a estruturação de atividades pautadas na ludicidade e situações problemas. Os diferentes caminhos, isto é, as diferentes maneiras para efetivar, por exemplo, o batimento de perna do nado crawl, realizado por meio de atividades lúdicas, que, somadas ao potencial de cada aluno, podem ser reconfiguradas em situações problemas a serem resolvidas. De que maneira meu aluno aprende? De que forma posso ensinar a respiração no ambiente aquático? Perguntas deste gênero são primordiais para a criação e reformulação de propostas pedagógicas.
As contribuições de Gardner (2000) podem auxiliar os professores em diferentes modalidades esportivas, especificamente na Natação. Alguns pontos como: respeitar a capacidade individual dos alunos; identificar os caminhos facilitadores para sua aprendizagem e variar as formas de ensinar e avaliar são capazes de efetivar a aprendizagem de alunos e futuros atletas.
Afinal, quem pratica natação ou outras modalidades esportivas também é Inteligente!
O professor Rafael Espíndola é mestre em educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO) e docente nos cursos de educação física na UNIPLAN (Guaratinguetá) e na Escola Superior de Cruzeiro (ESC).
O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte.
Acreditamos no poder transformador do esporte.






