sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Os desafios do professor no contexto de ensino do esporte


 

Texto escrito por Téo Pimenta

O século 20 é marcado por profundas e rápidas transformações, acentuadas pelo desenvolvimento tecnológico, processo de urbanização, capitalismo e globalização gerando impactos significativos que são sentidos e sofridos em todas as áreas, inclusive, do ensino do esporte.

O professor inserido no ensino do esporte tem como desafio investigar variadas formas de organizar, sistematizar, aplicar e avaliar todo o processo pedagógico e tratar o esporte de forma pedagógica. Dentre as propostas, uma que destacamos é relacionada a pedagogia do esporte que trata-se de colocar o indivíduo como o elemento central no processo de ensino aprendizado, parece óbvia esta afirmação, mas em muitos casos, sabemos que esta não é a preocupação prioritária do professor. Esta perspectiva pode apresenta-se como algo diferencial para o seu método de ensino.

Desde a década de 90, a pedagogia do esporte vem ganhando destaque e emergiu como área de conhecimento da educação física. A pedagogia do esporte procura estimular o profissional de ensino do esporte a buscar pela superação de métodos tradicionais de ensino nas suas práticas pedagógicas cotidianas e questioná-las constantemente.

Com o aumento crescente das discussões relacionadas a pedagogia do esporte, emergiram possibilidades reais, surgiram novas propostas e aprimoram os métodos existentes de ensino, neste sentido, os avanços como área do conhecimento foram significativos, um dos desafios desta área seria aproximar-se do fazer prático, vale ressaltar, isso é o que se deseja e espera, que o conhecimento seja acessível ao professor e possa contribuir no seu dia a dia. A sua intenção é apresentar e propor reflexões de novas e variadas formas de ensino e aprendizagem do esporte, nos diferentes contextos de educação, independente deles serem, formais ou informais. Como as outras ciências do esporte e da educação física está inserida no processo histórico, social e cultural do fenômeno esporte, desta forma, evoluiu e vem viabilizando propostas e métodos que possibilitem a construção e criação de métodos com características diferenciadas, neste sentido, fornece subsídios para o profissional repense e revise suas técnicas e formas de ensinar o esporte, desta forma, podendo contribuir significativamente na formação esportiva.

Acreditamos ser pertinente para a formação profissional, em especial, os professores que procuram viabilizar o esporte como meio educacional, uma reflexão e avaliação constante das suas práticas cotidianas. Desta forma, deve procurar construir propostas e (re)pensar todo o processo pedagógico de ensino do esporte, buscando superar métodos tradicionais e aplicar procedimentos pedagógicos adequados para o ensino do esporte, sobretudo que visem colocar o indivíduo que aprende no centro do processo de ensino e aprendizado.

Na educação física atual surgiram vários métodos de ensino ao longo do seu processo histórico, cabe destacar, que torna-se evidente a preocupação atual com o envolvimento do alunos de forma mais participativa.

Por fim, apontamos que os profissionais inseridos no contexto de ensino do esporte terá como desafio buscar realizar suas práticas com maior embasamento científico e atenção nas demandas cotidianas do seu aluno, desta forma, é pertinente incorporar conhecimentos de outras áreas para atender as reais demandas sociais da comunidade e ter compreensão da complexidade humana. Outro ponto importante para o seu avanço profissional é que esteja disposto a apresentar, ampliar, discutir e debater, de forma aprofundada, as recentes contrições do conhecimento e propor novas formas de organizar, sistematizar, aplicar e avaliar o ensino do esporte nos diversos espaços de educação, podendo ser, formais e informais.

 

Téo Pimenta é mestre, professor no curso de educação física da Faculdade Anhanguera de Taubaté e diretor do IEVALE. 


O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte. 

www.ievale.com.br


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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Esporte herói ou Vilão




Texto escrito por José Martins Freire Júnior 

De acordo com o PCN (1998), as diretrizes políticas para educação física nos anos 70 eram baseadas em um modelo piramidal, que tinha como base a educação física escolar e o desporto juvenil. No segundo nível da pirâmide, encontrava-se a busca pela melhora da aptidão física da população urbana, que ficava sob a responsabilidade da iniciativa privada sendo visto como o desporto de massas e no topo da pirâmide encontrava-se o desporto de elite.

Nos anos 80, este modelo passa a ser contestado, já que não colabora para que o Brasil se torne uma potência olímpica ou mesmo aumente o número de praticantes de esportes da elite; com isso ocorre uma crise de identidade da área, gerando uma mudança expressiva nas políticas educacionais. Com relação às aulas de educação física escolar estas passaram a ser trabalhadas nas primeiras séries do Ensino Fundamental com o objetivo de desenvolver aspecto psicomotor do aluno e com isso retirar da escola a função de promover o esporte de alto rendimento (BRASIL, 1998).

A tradição cultural nas aulas de educação física tem sido, ao longo dos anos, muito perversa com alunos que são desprezados durante a passagem pela educação básica, pois não atendem aos padrões motores desejados e por muitas vezes tornam-se adultos que possuem certa mágoa em relação as aulas de educação física escolar. Pois ficaram à margem das atividades propostas nestas aulas e infelizmente não possuem ou mesmo não desenvolveram a autonomia para usufruir da cultura corporal de movimento. Com isso até hoje não conseguem se envolver em práticas esportivas por não acreditarem na capacidade própria de participarem e também por não reconhecerem a importância deste envolvimento (DAOLIO, 1996).

Pode-se perceber que o esporte praticado por crianças e adolescentes nesta fase de desenvolvimento, pouco difere do modelo esportivo de alto rendimento praticado pelo adulto. As diferenças são percebidas apenas na diminuição do tamanho da bola, da quadra, do tempo de jogo, entre outros aspectos.

Contudo, há as atitudes condenáveis, como: insultos da torcida e de técnicos, passam a fazer parte desse meio, mesmo na presença de crianças. Outro agravante são os treinamentos que consistem na realização e repetição de tarefas exaustivas similares ao modelo adulto, tendo como foco os resultados positivos nas competições. Parece que tais condições também são encontradas no ambiente escolar, exemplo disso, são as equipes de competição, formadas e selecionadas durante as aulas de educação física escolar. Quando isso acontece, a intenção de ensinar o esporte a todos e que todos o pratiquem deixa de existir para dar oportunidade para a busca dos melhores (KORSAKAS; ROSE JÚNIOR, 2002).

Com relação a situação descrita, podemos indagar algumas possibilidades para entender os motivos que ainda levam as aulas de Educação Física terem como fim o rendimento esportivo: concordando que o esporte, mesmo dentro da escola, é o retrato fiel da sociedade em que vivemos.

Por tanto, ele se desenvolve de forma excludente, competitiva; a Educação Física escolar, como o esporte, é relegada a segundo plano, diante as autoridades que gerem a nossa sociedade, no caso da escola, pela a equipe de direção, na qual só se consegue um destaque quando se chega com troféus conquistados em disputas entre escolas. Disputas que em muitas vezes são pautadas por violências, humilhações, desrespeitos entre outras situações calamitosas. Costumeiramente é só nesse cenário, na vitória em torneios, que o profissional de Educação Física é “enxergado” pela unidade escolar.

De acordo com o estudo de Darido (2004), foi possível perceber que nas aulas de educação física escolar apenas uma parcela da turma participa efetivamente nas atividades propostas pelo professor e, na maioria das vezes, estes alunos são os mais habilidosos. Há um aspecto intrigante, pois muitos professores ainda estão fortemente ligados a perspectiva esportivista e por este motivo, acabam valorizando os alunos com melhor desempenho nas aulas e colaboram para o afastamento daqueles alunos que necessitam ainda mais de estímulos para a participação nas atividades, gerando assim um número maior de alunos dispensados ou que simplesmente não participam das aulas.

O objetivo não é remover o esporte do conteúdo curricular das aulas de educação física escolar, mas sim desenvolvê-lo de uma maneira diferente, dando um novo enfoque e assim assegurar que os alunos compreendam o esporte a partir de suas origens, evoluções e possibilidades de atuação. Também é importante desenvolver a reflexão sobre as inúmeras dimensões culturais relacionadas ao esporte e que são fontes de aprendizado, assim como os padrões de beleza impostos pela mídia, os conceitos de saúde, as políticas esportivas e as formas de discriminação presentes neste meio e na sociedade (BARROSO; DARIDO, 2006).

O profissional de Educação Física em seu campo de atuação profissional, tem como obrigação possibilitar seus alunos as mais vastas experiências motoras possíveis, e essas experiências vêm através das inúmeras possibilidades que a disciplina em questão oferta, entre elas o esporte, entretanto é importante que em sua prática, o profissional construa conhecimentos teóricos com os discentes das atividades que serão desenvolvidas e não somente “jogar por jogar”. Esses conhecimentos, no caso específico do esporte, podem estar no campo da história, na evolução da modalidade, nos benefícios biológicos, nas contribuições sociais, entre outras infinitas possibilidades que constroem o campo do saber.

Acreditamos que se o esporte foi desenvolvido na escola como possibilidade de formação de sujeito crítico-emancipado e autônomo, construtor da cidadania, crianças e adolescentes que sejam “indiferentes as diferenças”, que a escola e os professores possibilitem uma Educação Física de qualidade com quantidade, pois qualidade sem quantidade é privilegio, tudo isso através do puro prazer que a pratica esportiva nos traz, assim podemos afirmar que o esporte é herói.

Em contrapartida, se o esporte na escola for pautado pela segregação, exclusão, tendo como o maior objetivo, a competição, privilegiando os mais habilidosos em detrimento dos menos, uma prática na direção da submissão de seus alunos, sob o olhar que a escola é o local de formação de possíveis atletas, nesse cenário pode-se dizer que o esporte vai para o lado vilão da história.


O professor José Martins Freire Júnior é mestre em educação física e docente no curso de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC.


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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

O poder do brincar



Texto escrito por Gabriel Silva

"As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração". Helen Keller (2015, p. 63).

Você sabia que a população Dinamarquesa fora considerada a mais feliz do mundo por mais de quarenta anos consecutivos, segundo a OECD (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico)?

Quando investigado os princípios destes números tão significativos, fora descoberto que o brincar foi um dos principais fatores a estes resultados. 

Na formação das crianças, as brincadeiras são conteúdos de extrema importância no currículo escolar dinamarquês. Aliás, na maioria das escolas e colégios infantis disponibilizam 3 (três) horas por dia exclusivo a brincadeiras. Alexander Jessica (2017).

Só que um dos segredos deles não consiste em apenas aplicar atividades, eles prezam pelo desenvolvimento da autonomia, segurança e confiança dos alunos. Isto se dá por estratégias a deixarem os alunos a experimentarem e vivenciarem os demais tipos de situações dentro da brincadeira. Desde tentar e não conseguir realizar determinado movimento até terem que resolverem conflitos internos.

O professor, neste contexto deve ter a sensibilidade de entender o momento correto de intervir nestas situações. Por exemplo: uma criança quer subir numa árvore da qual faz parte da atividade colocada pelo professor. Quando o profissional interfere e de cara já apresenta outras possibilidades para o aluno subir a aquela árvore ou até pede para que não suba, estará inibindo a construção de um ser pensante além de não possibilitar ao aluno auto entender que não consegue e que é preciso pensar em alguma outra forma ou solicitar ajuda ao professor.

Estes são alguns dos princípios que os profissionais dinamarqueses utilizam para construir adultos seguros, confiantes a autônomos.

Neste sentido, o “brincar” não quer dizer tocar violino, praticar algum esporte ou ir a uma festa organizada por adultos. O termo remete em deixar a criança livre para fazer o que quiser, com amiguinhos ou sozinhos, como bem entender, por quanto tempo for. Alguns profissionais e até pais que permitem a existência deste tipo de atividade no fundo se sentem culpados de admitir. É que no fim das contas achamos que estamos sendo professores ou pais/mães melhores quando ensinamos  alguma coisa. Brincar muitas vezes parece desperdiço de tempo quando poderiam estar fazendo algo mais “produtivo”. Porém, é perceptível que as brincadeiras sobretudo, no contexto infantil trazem grandes possibilidades no desenvolvimento de pessoas mais felizes, segundo dados na Dinamarca. 

Portanto, foi perceptível o poder que a brincadeira possui na formação da criança. Claro que aplicar brincadeiras em excesso ou focar em apenas nisso não estará necessariamente construindo pessoas felizes, mas já estará no caminho certo e com uma grande estratégia nas mãos para promover conhecimentos de diversas disciplina por meio da ludicidade.

 

Gabriel Silva é licenciado em educação física e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O corpo negro na Educação Física escolar


Texto escrito por Igor Moreira 

O presente ensaio tem com proposta provocar alguma reflexão sobre o corpo negro na Educação Física escolar, esse ácido caminho se depara com algumas formas do racismo, dentre eles, o científico, institucional e estrutural.

Não rara as vezes deparamos com narrativas que dizem que o negro é bom para o esporte. Falsos discursos que se aportam nas “ciências”, para “subsidiar” essas narrativas, dentre elas, que o negro é melhor na corrida de velocidade por ter mais fibras musculares tipo branca, em detrimento a corrida de longas distâncias, que requer mais as fibras vermelhas, ou retóricas que a população negra tem dificuldade com a natação, devida sua densidade corporal. 

Ao pensar no domínio dos quenianos e etíopes na corrida de São Silvestre, já invalida a questão das corridas de longas distâncias, se a premissa é falsa, a afirmação não é verdadeira. No que tange a natação não se discute o não acesso do negro nas piscinas, sendo a piscina símbolo de riqueza, a população negra está longe dessa condição. Outro ponto referente a esse esporte, é que a grande maioria dos nadadores são formados dentro de clubes particulares, como Pinheiros em São Paulo, Minas Tênis Clube em Belo Horizonte, locais de acesso a população branca, ou seja, como aprender a nadar fora da piscina?

Para esconder as estruturas racistas que permeiam no Brasil, utiliza-se de uma única ciência, a biológica e de forma equivocada. De igual forma ocorreu no mundo e no Brasil, através do racismo científico, na falácia da construção de raças, justificaram a escravidão no mundo e em nosso país. No Brasil, as teorias científicas racistas apontavam que em 100 anos, através da miscigenação, o país seria constituído só por pessoas brancas, a pureza da “raça” ariana.

Essas falácias mesmo desmascaradas continuam vigentes pelos racistas, como por exemplo, quando se estreita o negro ao esporte, com base em uma falsa ciência; essa “teoria” tem como base as atividades corporais que não necessitava do intelecto, retomando a ideia do processo de escravidão; o pensar, o civilizado, a capacidade de liderança é de domínio do homem branco.

Com base no exposto acima, adentramos ao mundo da educação formal e a Educação Física escolar. A escola por ser na maioria das vezes o primeiro espaço de relação entre pessoas fora do núcleo familiar,  não raras vezes o contato da menina , do menino negro com o racismo é  no ambiente escolar.

No artigo “O papel central da escola no enfrentamento do racismo” pelo portal Geledés, apresenta- se parte da desigualdade entre brancos e negros no sistema educacional. E sendo a escola elemento nevrálgico para qualquer mudança comportamental, discussões antirracistas devem fazer parte do cotidiano escolar.

E nós professores de Educação Física temos que valorar o corpo negro, não esconde-los no fundo da sala, ou da quadra, mas valorizar e não reduzir, “ao/a menino/a” bom/a de futebol. Enaltecer e explorar as potencialidades de um corpo que historicamente é marcado pelo enfrentamento das adversidades, um corpo cujo teor da sua melanina e dentro de estruturas racistas como a nossa, faz o espaço da rua ser seu único local de “privilégio”. 

Explorar esse corpo construindo possibilidades de protagonismo em todas vertentes que permeia a cultura corporal de movimento e a educação como todo. Um corpo emancipado que não se restringe a biologia e não adentre a lógica disciplinar de Foucault (2006).

Compreendemos a complexidade da temática, pois em um racismo institucional, pensada por estruturas racistas, inviabilizam o acesso a esse conhecimento; não nos ensinam a temática negra na escola e muito menos nas faculdades, mas em analogia e consonância com Arendt (2002, p.39) “Muitos dizem que não se pode lutar contra o totalitarismo sem compreende-lo. Felizmente isso não é verdade; se fosse, nossa causa estaria perdida”. Ou seja, nós professores de Educação Física escolar, mesmo sem um bom letramento racial, podemos contribuir na luta antirracista de forma significativa, valorizando em todas as possibilidades e potencialidades o corpo negro. Pois:

a educação possui um papel transformador e central na sociedade, de modo que, se a construção de um ensino antirracista envolve múltiplas abordagens e perspectivas, isso se deve ao caráter estrutural e sistêmico que o próprio racismo possui em nosso cotidiano. Educar para a diversidade, enfrentando as desigualdades, é um desafio histórico que demanda escuta, atenção e compromisso com a equidade. (GELEDÉS, 2020)


O professor Igor Moreira é mestre em Políticas Sociais e docente no curso de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC. 


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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Estimule o protagonismo no ensino do esporte

 


Texto escrito por Téo Pimenta

O esporte se constitui como um ótimo meio para formação humana, no entanto, devemos refletir como tornar clubes e escolas em espaços potenciais para tal. Imediatamente, torna-se necessário ressignificar a ação pedagógica e redefinir caminhos didáticos-metodológicos.

Muito se discute o fins educacionais do esporte na atualidade, se compara os objetivos entre clubes e escolas e se discute as diferenças entre os dois espaços, não acreditamos que esta seja a questão central, mas destacamos, em especial, uma questão: como o esporte seria apresentado e desenvolvido nos lugares em questão?

Neste sentido, corroboramos as ideias de Daolio (1995 apud REVERDITO; SCAGLIA, 2019, p. 19) “[...] uma proposta metodológica para o ensino na educação física deve considerar a história e a cultura dos alunos, pois os movimentos corporais são culturais e detentores de significados”.

O esporte se constitui como um dos fenômenos culturais mais importantes do século 20 e que teve sua origem como possibilidade formativa para uma elite nos espaços das escolas inglesas no final do século 18, se espalhou e se consolidou para as sociedades pelo mundo no século 19 com a contribuição dos clubes e escolas, que tiveram um papel fundamental na população e massificação do esporte. 

No entanto, existem desafios, como: acompanhar o avanço do conhecimento, tanto teórico quanto prático, reconhecer as contribuições das pesquisas para ambos os campos, aproximar os estudos acadêmicos dos profissionais da prática, estimular a práxis, que se constitui na conexão e interligação dos saberes teóricos e práticos, ressaltamos que seria ideal e necessário religar os saberes teóricos e práticos, urgentemente. Somamos a estes desafios temos a condução do processo de iniciação esportiva, pelo senso comum dos ex-atletas, que pautam suas ações nas suas experiências práticas, sem a devida fundamentação teórico-científico.

É importante destacar as contribuições da pedagogia do esporte, embora se trate de um campo acadêmico novo, obteve rápidos e expressivos avanços no rompimento de um ensino tradicional, que proporcionou auxílios tanto no ensino do esporte na escola quanto no clube, demonstrando ser uma área promissora, que de fato vem contribuindo para ações no campo prático-pedagógico. 

Acredita-se, que uma iniciação esportiva bem conduzida é de extrema importância para a sequência das outras etapas da formação no esporte, no entanto, no seu oportuno momento é necessário um aprofundamento dos conteúdos ensinados, sem a profundidade, o esporte não será aprendido efetivamente. 

Desta forma, ampliar as discussões relacionado ao ensino do esporte e caminhar na propagação e construção de modelos de ensino mais interacionista, com abordagens humanistas (ROGERS), cognitivas (PIAGET; VYGOTSKY) e sociocultural (FREIRE) torna-se fundamental. Neste sentido o papel do professor não pode ser minimizado como um mero facilitador ou mediador, ser professor não se trata de uma tarefa simples, requer um nível elevado de conhecimento, habilidades e capacidades para problematizar o conhecimento a ser ensinado. Desta forma, os professores deverão procurar romper com métodos tradicionais (técnica fora do contexto), avançar para propostas interacionistas (técnica desenvolvida no jogo) e construir ações que possibilitem os alunos a desenvolverem a percepção, ação, tomada de decisão e protagonismo do aluno. 

Aprender esporte, não é diferente de qualquer outro aprendizado, requer empenho, dedicação e protagonismo, desta forma, os alunos devem ser colocados no centro do processo de ensino-aprendizagem e os professores devem estimular o conhecimento e apresentar o esporte de forma desafiadora para todos os alunos, não apenas para a parcela mais habilidosa do grupo, o ensino deve ser igual à todos.

Por fim, o professor de educação física, no contexto atual, constitui-se como o responsável pelo ensino do esporte. Por vezes, em alguns momentos, é importante observar e procurar intervir pouco, assim, estará estimulando um maior protagonismo dos alunos no processo de ensino aprendizado.


Téo Pimenta é mestre, professor no curso de educação física da Faculdade Anhanguera de Taubaté e diretor do IEVALE. 


O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte. 

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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O fenômeno chamado esporte


Texto escrito por José Martins Freire Júnior 

O esporte está presente na sociedade há séculos, manifestando-se de diferentes formas e com inúmeros significados, sendo praticado nos mais diversos locais do planeta. Como aponta Finck (2012, p.93) “O esporte como fenômeno social se manifesta em diferentes contextos e tem objetivos distintos”.  

Nas escolas, é uma manifestação da cultura corporal, como afirma os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), que pode ser ensinada de várias formas e com métodos diversificados.  Sendo assim, o professor de Educação Física tem grande responsabilidade ao ensinar aos alunos os diferentes conteúdos relacionados ao esporte, pois dependendo da maneira que o faz, poderá ou não contribuir de forma significativa para um aprendizado voltado para autonomia, para emancipação, com participação efetiva dos alunos, aspectos preponderantes para uma educação democrática.

Pois "uma prática excludente e seletiva, que impede crianças, adolescentes e jovens de serem livres e de desenvolverem sua autonomia e criticidade, contradiz os atributos educativos [...]" (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004, p. 11).

O esporte faz parte da nossa cultura e contribui de várias formas para a vida das pessoas, e está presente em diferentes contextos, públicos: escolas, parques e praças, ou privados: clubes, escolinhas de esportes e ginásios.

Bracht (2005) relata que o conceito de esporte precisa abarcar inúmeras possibilidades, pois há um grau de diferenciação muito grande no contexto esportivo, no qual destaca-se as seguintes classificações: esporte de alto rendimento ou de rendimento, esporte de lazer e esporte educativo. Sendo que há uma busca constante por conceitos que expliquem as diferenças entre tais classificações, no Brasil em 1985, José Sarney instituiu uma comissão de reformulação do esporte brasileiro, inclusive foi incorporado pela Constituição Federal de 1988, na qual diferenciou o conceito do esporte em 3 classificações, sendo elas: deporto–performance, desporto–participação e desporto–educação.

Apesar da diferenciação em sua classificação, elas se aproximam, principalmente o esporte-educação, com esporte-participação, dos quais um adentra ao “espaço” do outro, pois é possível enxergar o esporte–participação dentro de um ambiente educacional, como a essa prática de caráter educativo pode estar presente a todo momento, tendo como determinante a forma de sua aplicação, não tendo como relevância o local de sua execução. 

De acordo com Marques, Almeida e Gutierrez (2007), o esporte possui diferentes manifestações que estão relacionadas a duas categorias. A primeira refere-se ao sentido da prática ligada às intenções e ao contexto na qual ocorre, a segunda categoria corresponde à modalidade que se desenvolve por meio de atividades que possuem caráter esportivo, ou seja, possuem regras, normas e órgãos reguladores. Enfim, toda atividade esportiva possui um sentido e se manifesta por meio de uma modalidade que irá expressar os valores e atitudes pelos quais se orienta.

Pode-se perceber que esporte é um componente de destaque mundial, consequentemente é apontado como um dos fenômenos sociais mais expressivos na atualidade e que teve a sua expansão atrelada às transformações sociais que ocorreram nos últimos anos, conquistando uma posição diferenciada em vários campos, sendo eles: político, econômico, educacional, cultural e social (KORSAKAS; ROSE JÚNIOR, 2002).

Vago (1996) aponta que o esporte é considerado uma prática cultural, que incorpora valores sociais, culturais, econômicos, estéticos e utiliza diversos espaços da sociedade para acontecer. Entre esses espaços podemos citar: ruas, parques, clubes, escolinhas de esportes, entre outros espaços de lazer e claro a escola, que é o foco do estudo. 

Dialogamos com Taffarel (2000), quando a autora descreve que o esporte não pode ser analisado de forma isolada e fora do contexto das inúmeras relações e interações que possui com a sociedade, pois desta maneira é dar-lhe uma autonomia inexistente. Esse tipo de análise considera uma visão totalmente idealista de que o “desporto é algo bom em si mesmo” e que está acima de tudo e de todos.

Nota-se a emergência da vinculação entre as políticas esportivas e o discurso da promoção da cidadania ou de inclusão social” (MELO, 2005, apud NOGUEIRA, 2011, p. 111).

Ou seja, pratique esporte que será um sujeito de sucesso, de caráter, reduzindo apenas a um fator complexidade da construção do sujeito, apropriando-se do estereótipo que para chegar a “glória esportiva” o atleta é constituído de inúmeros valores e valências que quase o torna um “super-homem”.

Mas para uma real eficácia do esporte no auxílio da construção do sujeito é necessário que sua prática seja voltada para a emancipação do indivíduo e não tenha com determinante, o econômico, reproduzindo a lógica capitalista da submissão do homem.

 

O professor José Martins Freire Júnior é mestre em educação física e docente no curso de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC.


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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ensine mais que esporte


Texto escrito por Gabriel Silva 

Por trás de todo um conteúdo esportivo a ser ensinado, de fundamentos técnicos a táticos de determinadas modalidades há o trabalho de um profissional que atua como mediador e organizador destes conteúdos que serão ensinados.

Quando ensinamos para além das técnicas e táticas dos jogo, os alunos são capazes de entenderem e compreenderem os valores sociais que o esporte pode promover, o professor deixa de ser um mero transmissor do conhecimento e e passa a contribuir na construção do conhecimento ao aluno e assim, auxilia na formação social dos indivíduos. 

A atual sociedade se apresenta cada vez mais competitiva, da qual a derrota é quase que insuportável aos atuantes do esporte, mas saber lidar com ela é algo necessário, pois faz parte do esporte e sobretudo da vida .

Entretanto, quando analisamos a finalidade do esporte nos ambientes escolares, projetos sociais, e até em espaços de ressocialização, caso dos presídios, é perceptível que os professores irão buscar por meio do esporte um melhor convívio e interação coletiva dos participantes.

Mas como conseguir de fato êxito neste aspecto se o esporte, por si só, em sua essência, se apresenta competitivo, uma vez, que a disputa entre duas equipes anseiam-nos a querer vencer a qualquer custo? E como intermediar tudo isso?

É neste momento que o papel do professor é crucial para que o esporte seja ressignificado e reinventado aos que participam. Carol Dweck (2019) em seu livro “Mindset: a nova psicologia do esporte” alerta aos profissionais que ao estimular a seus alunos se referenciarem nos “melhores”, logo estará promovendo uma grande probabilidade de frustração futura, pois há diversas dificuldades para que consiga atingir no mínimo um mesmo nível de capacidade, seja ela física, tática, técnica, entre outras. Já quando o praticante foca em ser melhor que ele mesmo a cada dia, assim está desenvolvendo o poder do esforço. Para que quando ocorrer derrotas, o aluno não se martirize pelos resultados e sim se auto avalie sobre sua evolução ou regressão.

Repare, o esporte não perde sua essência, mas por meio de algumas medidas estratégicas do professor, exclusivamente, será possível mostrar novos horizontes a seus alunos. Ainda pensando neste sentido, é totalmente viável que os próprios alunos procurem um ajudar o outro eu seus progressos individuais, sem que haja o bullying, as brincadeiras ofensivas e até violências físicas, que embora, às vezes possa ocorrer, o professor deverá estar presente para de fato expor os objetivos do esporte ali praticado.

Assim, o esporte amplia seu potencial e se transforma em uma ponte para atingir objetivos sociais na formação dos participantes. Toda essa construção de ideias só poderá ser realizada, possível, por meio de diálogos constantes e sistematizados estrategicamente nas rodas de conversas, que deve ser rotineira. O estímulo a buscar conhecimentos e a participação efetiva dos alunos todos juntos, isso, independente da idade, sexo, raça ou algum outro paradigma social imposto pela sociedade.

Portanto, quando ensinar o esporte, saiba que há diversos valores por trás desta prática e que cabe aos professores apontarem os olhares dos alunos aos valores desejados.

Gabriel Silva é licenciado em educação física e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


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