quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Os aplicativos substituirão os professores?


 

Texto escrito por Gabriel Silva

No processo de ensino-aprendizagem, atualmente temos basicamente duas formas de estimular o conhecimento. Podemos separar em pensamento dialético e anti-dialético. 

No dialético, aparentemente, mais simples e de fácil manejo, no entanto, não menos importante quando se comparado ao uso da tecnologia. O dialético se desenvolve por estímulos, símbolos da língua, leitura, escrita, no caso esportivo, o gesto e o movimento são linguagens. Assim, no contexto da educação esportiva pode acarretar em aspectos negativos, uma vez que a reação dos alunos se torna instintiva, lógica, o famoso “bateu levou”, neste sentido, recomenda-se evitar críticas e comentários no calor das emoções.

A ideia central e o projeto educacional é estar contribuindo para a construção de alunos pensantes, resilientes, que reage não por instinto, mas por discernimento e sabedoria.

Pensadores do quilate de Kant, Freud e Piaget ressaltaram que o papel do professor não é promover repetidores de informações, mas sim, seres pensantes que busquem constantemente melhores estratégias para determinadas atividades, além de entender a razão de tudo aquilo que o faz.

É comum em ambientes do esporte bem como nas aulas de Educação Física, centro de treinamentos ou até em contextos universitários, ocorrer atividades da qual o professor explicou e aplicou determinado conteúdo sem promover uma visão crítica do aluno. A inibição da autonomia do aluno pode gerar limitação em seu desenvolvimento, pois estará desenvolvendo um repetidor de informação.

Augusto Cury (2020) afirmou que o professor que se restringir a formar máquinas e não seres humanos, formar doutrinadores e não seres pensantes estarão tendo a mesma finalidade que o uso de um aplicativo. Sendo assim, é fundamental que o profissional se auto-avalie com freqüência para que suas ações não sejam baseadas em passo a passo, mas sim adaptadas ao seu ambiente e seu público. 

Na atualidade, está cada vez mais frequente o uso de aplicativos nas práticas esportivas por crianças, jovens, adultos e até idosos, assim, muitos que praticam atividades físicas de um modo geral. É um suporte que auxilia no controle do desempenho. Em contra partida, este mesmo aplicativo não é possível medir o nível das capacidades físicas do aluno, além de não considerar o nível de alimentação do praticante, limitações físicas e até o estado emocional, ou seja, há inúmeras limitação. 

Portanto, apesar da tecnologia se apresentar como uma grande aliada dos professores, recomendamos que deve ser muito bem administrada e refletida o seu uso no cotidiano, pois o aplicativo não lhe dá o poder da crítica, nem tão pouco espaço para expressar a autonomia. O professor neste aspecto é insubstituível, neste caso, só o professor possui a sensibilidade e entendimento as expressões humanas, coisa que o aplicativo é incapaz de fazer. Por fim, para o aluno com algum eventual desconforto, seja em qualquer aspecto, podendo ser físico, emocional, ambiental será inútil se queixar com o aplicativo. 


O professor Gabriel Silva é licenciado em educação física e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.


O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte. 

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Métodos de treinamento: a importância e a armadilha da modernidade


Texto escrito por Igor Moreira
No meu último texto publicado neste blog, trouxe um micro fragmento da história do futebol a título de elucidar o processo desse esporte no Brasil. Provoco ao texto que segue alguma reflexão sobre caminhos dessas transformações, fazendo com que narrativas nessa linha serem recorrentes “não se faz mais jogadores como antigamente”; contudo para o presente texto peço certa licença acadêmica. 

Falar em aula/ treinamento e suas formas de organização perpassam por métodos. Em busca rápida ao dicionário online, método significa: processos, sistemas, arrumações, investigações, maneiras, meios, ordens. Ou, modo usado para realizar alguma coisa; técnica: método científico. Adotaremos essa segunda definição, então métodos de treinamento, como sendo, o modo usado para realizar um treino. 

Diante dessa definição em conjunto com o pensamento Aristotélico, quando diz “o que nos torna iguais é que somos diferentes”, e pensar o futebol, ou outros esportes coletivos, por pretender buscar o empenho individual, atrelado a um trabalho grupal e com base em métodos de treino para realizar o trabalho, percebemos a complexidade que é ser professor/treinador.  

Ao remeter a alguns métodos e suas nuances, dentre eles: analítico, global, situacional, táticas, entre outras possibilidades, e colocar nas mãos de uma pessoa que objetiva fazer sua equipe jogar, mas tendo que enfrentar as individualidades, são desafios a serem enfrentados. 

No discurso as falas tangenciam para o percurso da autonomia, tomada de decisão, emancipação, que a formação é pautada pela liberdade, que vencer relega-se a segundo plano, nos processos de formação. 

Mas o que muito se vê, são técnicos eufóricos, nas beiras das linhas que ao invés de ensejar um bom jogo, anseiam pela vitória, ou como já mencionou Scaglia (2020), o professor deve almejar o empenho dos seus alunos e não o desempenho; Santana (2019) nos orienta a explorar a individualidade e negar o individualismo. 

Contudo, esses conceitos devem sair do campo semântico e adentrar as práticas, e fazer nossos alunos driblar “atrás”, buscar a joga individual que os modernos chamam de um contra um, buscar o lance diferente, mesmo que ela custe o erro e consequentemente uma derrota; necessita-se menos fones de ouvido e mais diálogo. Valorizar a individualidade e coibir o individualismo. 

Recomendo a todos professores, técnicos, alunos e atletas em formação ou “formados” que assistam o filme “O jogo da paixão” com Kevin Costner, onde o ator é um jogador de golfe, estilo boleiro, e entra em um campeonato importante contra seu algoz, estritamente profissional, um Cristiano Ronaldo e  Kevin Costner com o título praticamente ganho, se permite a ousar e buscar uma jogada quase impossível, se é quase, porque há possibilidades, ele segue seu coração e busca a plasticidade da jogada, perde o título. Depois de inúmeras tentativas consegue a tão almejada tacada e faz essa magnífica atitude ser recordada por esse que escreve a vinte quatro anos depois de ter assistido.

Por que não se faz mais jogadores como antigamente? Porque desde pequeno o professor engessa as possibilidades da ousadia dos alunos, ousadia e alegria ficaram somente na música do cantor Thiaguinho, os técnicos sob égide da evolução do esporte utilizam em demasia os métodos, mas sem a apropriação adequada dessas formas de treinamentos, que são de grande importância. Jesus não me deixa mentir, o Jorge. 

Falam do ensino a partir do jogo para dar autonomia ao aluno, mas constroem atividades com todas as ações determinadas, pensam no analítico para melhorar os fundamentos, mas o que ocorre são descabidas sessões de repetição de movimento; fala-se em situacional, sendo situação determinada por uma única pessoa, entre outras formas de apropriar, sem propriedade. O drible é heresia, o passe de efeito está escrito como o oitavo pecado capital, a brutalidade (o indivíduo forte) é elemento fundante para alçar a um lugar ao sol. 

Buscar aquilo que o professor Paulo Freire chamou de ‘inédito viável’ seria ressuscitar Cazuza, mas com outra interpretação de “um museu de grandes novidades”, o museu seria a retomada do nosso jeito de jogar futebol e as novidades seriam a inserção dos métodos, que bem utilizados são conspícuos para construção de equipes organizadas e jogadores inteligentes, não só corporalmente.    

Enquanto isso, sigo a trilhar dos meus sinuosos caminhos e continuo a ser essa metamorfose ambulante, encontrando em Thomas More (1516) a Utopia, por que não quero ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Para tanto em consonância com Távola (1985) encerro me apropriando das sábias palavras desse autor:

O futebol do futuro vai ser sem o gol como única aferição da vitória e sem juiz. O momento do gol será festejado pelos dois times e cumprimentados os autores. Nem será necessário a bola transpor a linha. Uma bela jogada de conclusão infeliz será considerada meio gol pelo time adversário que aceitará a qualidade de sua urdidura, e mandará anotar meio ponto. Haverá uma qualificação para a beleza das jogadas a valer pontos e dela participarão os dois times, mais empenhados em descobrir a beleza do que em evitá-la. O resultado final será a mescla do número de gols, como o de escanteios, o de jogadas consideradas belas e atitudes dignas de registro. Os dois times se reunirão para proclamar e ambos comemorarão o fato de terem feito o espetáculo, aproveitando para verificar em que pontos melhoraram. No futebol do futuro, o adversário não servirá para ser superado ou superar, e sim para ajudar a conferir em que aspectos cada time superou-se (a si próprio e não o adversário). O adversário nem assim se chamará. Será o “solidário”. As notícias dirão: “A seleção brasileira solidarizou-se ontem com a da Alemanha na verificação dos pontos em que ambas progrediram. A do Brasil venceu a si mesma por três pontos e a da Alemanha empatou com o seu desempenho anterior. Ao final, todos juntos comemoraram a alegria de compartir o esporte e de ajudar um ao outro na tarefa da auto-superação” (TÁVOLA, 1985, p. 275).


O professor Igor Moreira é mestre em Políticas Sociais e docente no curso de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC. 


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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Um debate sobre esporte educacional


Texto escrito por Téo Pimenta

O esporte foi um dos grandes fenômenos sócio-culturais do século passado, é importante ressaltar seu significado e relevância nas sociedades, em especial como ferramenta educacional, seu potencial para educação foi destacado em diferentes momentos sociais.

No período do pós guerra observou-se uma crescente valorização social do esporte, na educação física escolar passou-se a questionar a rigidez do método médico-militar, assim, se intensificaram as discussões entre professores, emergiu investigações sobre o desenvolvimento das crianças e jovens, como consequência, tais métodos passaram a perder força e receber críticas com relação ao seu formalismo e a rigidez. 

Nos anos 50 a educação física escolar começou a se identificar com o esporte, o conteúdo principal da educação física passou a ser o esporte. Substitui o método de inspiração médico-militar pelo método desportivo generalizado, método que buscou na sua base dar ênfase na iniciação esportiva dos alunos, desta forma, “a prática pedagógica privilegiava a aquisição de habilidades e capacidades físicas e de valores associados ao esporte” (KOLYNIAK FILHO, 2008, p. 56).

O pós-guerra e 0 governo militar ficaram marcados como os períodos de continuidade da valorização do esporte como conteúdo educacional nas aulas de educação física, a ênfase era melhorar a aptidão física da população, aumentar a participação estudantil e popular nos eventos esportivos e o aprimorar as técnicas desportivas. Neste período, em consequência da exacerbação do esporte, surgiu a especialização precoce dos alunos em um esporte específico, surgiram as turmas de treinamento nas escolas, tanto públicas quanto privadas, exacerbou o desenvolvimento da técnica esportiva. Negativamente o esporte foi usado como estratégia de controle das massas por meio da educação física escolar, a preparação corporal e o adestramento individual via prática esportiva afastava os jovens das questões políticas que emergiram na época. Para Neira (2007, p. 2):


[...] a partir do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, diversos questionamentos proporcionaram novas atribuições para a área. O surgimento das ciências do esporte possibilitou algumas críticas as aulas esportivas, pela falta de conhecimento científico por parte dos profissionais da área, para fundamentar sua prática pedagógica. [...].


Assim, na década de 90, com o acumulo do conhecimento cientifico converteu-se na implantação e implementação de leis e parâmetros importantes, casos da LDB em 1996 e PCN em 1997, houveram uma organização e diversificação dos conteúdos ensinados na educação física, rompimento das práticas autoritárias e elitistas, reflexo de uma educação tradicional. 

É relevante destacar que o caminho que a educação física escolar é no sentido de estimular práticas pedagógicas que rompam com o exclusivismo dos esporte, observados em outros momentos históricos. A educação física tem como objetivo desenvolver forma igualitária todos os seus conteúdos, inclusive o esporte. 

Com a implantação recente da BNCC (2018), acredita-se que haverá mais diversificação dos conteúdos e métodos, possibilitando uma maior participação e abrangência dos alunos no ensino do esporte, independente do contexto e ambiente de aprendizagem, vale ressaltar, que esta perspectiva gerou um impacto positivo no ensino do esporte, que passou a incluir o conceito e a ideia de diversificação em suas práticas pedagógicas. 

Assim, concordamos com Greco (2007, p. 36) quando afirmou não ser “favorável à adoção de um único método de ensino-aprendizagem-treinamento, seja este qual for, analítico, global, etc”.

Cabe ressaltar que a busca por melhores métodos e técnicas de ensino do esporte é constante, fruto das tendências educacionais, assim, devemos estimular constantes debates e discussões no esporte e educação. Por fim, acredita-se que esse movimento irá reverter em práticas pedagógicas mais humanizadas, que irão visar o desenvolvimento das potencialidades de todos os alunos, esta é a nossa real intenção e grande o desafio do profissional que ensina o esporte.


Téo Pimenta é mestre, professor no curso de educação física da Faculdade Anhanguera de Taubaté e diretor do IEVALE. 


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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Acreditamos no poder transformador do profissional de Educação Física através do esporte


Texto escrito por
José Martins Freire Júnior

O esporte está presente na sociedade há séculos, manifestando-se de diferentes formas e com inúmeros significados, sendo praticado nos mais diversos locais do planeta. Como aponta Finck (2012, p.93) “o esporte como fenômeno social se manifesta em diferentes contextos e tem objetivos distintos”.  

Sendo assim, o esporte faz parte da nossa cultura e contribui de várias formas para a vida das pessoas, e está presente em diferentes contextos, públicos: escolas, parques e praças, ou privados: clubes, escolinhas de esportes e ginásios. No Brasil, o primeiro contato das crianças e adolescentes com o esporte, geralmente, ocorrem na escola durante as aulas de Educação Física escolar.  

Nas escolas, é uma manifestação da cultura corporal, como afirma os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), que pode ser ensinada de várias formas e com métodos diversificados.  Sendo assim, o professor de Educação Física tem grande responsabilidade ao ensinar aos alunos os diferentes conteúdos relacionados ao esporte, pois dependendo da maneira que o faz, poderá ou não contribuir de forma significativa para um aprendizado voltado para autonomia, para emancipação, com participação efetiva dos alunos, aspectos preponderantes para uma educação democrática.

Diante disso, a prática esportiva pode ser transformada e adaptada a qualquer momento para que possa assumir significados de acordo com o contexto social e histórico na qual está inserida e, em consequência, atender de forma eficiente os anseios de seus praticantes (KORSAKAS; ROSE JÚNIOR, 2002).

Abro um parêntese nesse momento para relembramos que o ser humano é um sujeito histórico, socialmente construído e que vive através de relações interpessoais, fazendo que sua existência seja constituída de significados, tornando- se muitas vezes visível a ressignificação da prática esportiva para poder se adequar as reais necessidades de determinada população. O professor tem que ter a dimensão de quão complexo é o indivíduo e entender que o que nos faz sermos iguais é que somos singulares.

Corroborando, Belbenoit (1976), pedagogo francês, adverte que o esporte não é educativo por si só, pois, o educador é quem vai fazer com que ele seja um objeto e um meio de educação.

Por tanto, gostaria de colocar em destaque o profissional de Educação Física, que consegue transformar a prática esportiva em momentos de aprendizados ímpares a formação dos praticantes.

Percebe- se explicitamente no entendimento de que a atividade física e esportiva não é um fim em si; deve ser praticada e servir como um meio de plena realização do aluno, um instrumento de educação para aprender a ganhar e perder, como um meio de emancipação, e também um método de socialização sistemática para muitos jovens de ambos os sexos (FINCK, 2012).

Nesse mesmo caminho, Florentino e Saldanha (2007, p. 1), chamando a atenção para o papel do professor, diz: “o professor de Educação Física tem a responsabilidade de preparar seus alunos para a cidadania.

O professor tem um papel essencial na formação de seus alunos, tem o dever de ser um facilitador e um mediador do conhecimento, pois, é ele quem elabora o ambiente pedagógico, cria as situações didáticas, estabelece metas e objetivos, seleciona os conteúdos a serem desenvolvidos nas aulas de educação física (NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012).

Por isso quando ouvimos as seguintes frases: “o esporte educa”, “o esporte transforma”, “o esporte faz a diferença”, será que realmente tudo está relacionado apenas ao esporte? 

É importante ressaltar que todos os programas de exercícios físicos ou práticas esportivas tem propósitos positivos para os seus praticantes, contudo, só podem ser transformados momentos únicos de aprendizados por um bom profissional de Educação Física. 

Sendo assim, percebemos a responsabilidade dessa profissão em relação a formação de crianças, jovens, adultos, idosos, cidadãos, atletas, ou seja, de uma sociedade.

Em comemoração ao dia 01 de Setembro dia do profissional de Educação Física, deixo aqui os meus parabéns,  muito obrigado e ressalto que:

“Acreditamos no poder transformador do profissional de Educação Física através do esporte”


José Martins Freire Júnior é mestre em educação física e docente no curso de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC.



O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte. 

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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Meninos e meninas podem praticar esporte juntos?

 



Texto escrito por Gabriel Silva

Na atualidade, a única modalidade esportiva capaz de unir o sexo masculino e feminino num único esporte é o hipismo. Sem restrição de categorias e regras o hipismo também considerado esporte olímpico atende os dois gêneros sem desigualdade ou desvantagens para alguns dos lados.

Já em praticamente todas as outras modalidades há a separação entre meninos e meninas, homens e mulheres, e a proposta é refletir quais as possibilidades de haver a agregação entre os dois gêneros sem que haja vantagem ou desvantagem para algum dos lados e quais as estratégias para o profissional de Educação Física e da educação aderir para melhor conciliar este aspecto.

Pela ótica da fisiologia, o sexo masculino possui maior aptidão física em relação ao feminino. Por consequência a divisão das categorias são justas e indiscutíveis.

Entretanto, a junção é totalmente possível desde que o profissional respeite as questões a seguir: pensando principalmente em esportes de invasão ambos os sexos podem atuar juntos até a puberdade, pela literatura esta idade pode variar entre oito e 13 anos. A partir deste período os corpos começam adquirir proporções diferentes de modo que inicia o diferencial masculino, no aspecto físico.

Mas e dentro da escola e dentro de projetos sociais da qual tem como princípio a inclusão, desta forma, julga-se ser importante a interação entre os alunos? Como trabalhar isso?

O esporte quando chega ao contexto escolar e em projetos sociais deve entrar com uma configuração diferente em relação a clubes e formações de atletas. Neste sentido Altmann (2011), diz que o esporte pode ser apresentado enquanto lazer, saúde, prazer e sociabilidade.

O profissional da educação física se encontra como um dos principais intermediadores desta questão entre gênero e esporte. São a partir de atividades em conjunto de ambos os sexos que poderá iniciar uma ressignificação destes valores que o esporte agrega e consequentemente esplandecer a importância da relação entre meninos e meninas numa mesma atividade, seja um esporte, jogo ou brincadeira.

A uma questão cultural importante neste questão, embora, em determinadas atividades julga-se que os meninos irão apresentar maior habilidade ou maior capacidade física com relação as meninas, no nosso entendimento bastas estimular ambos da mesma forma que não haverá a ideia que o menino é melhor que a menina, vice e versa. Trabalhamos para que o esporte seja seja uma ponte para a promoção da igualdade, assim, uma prática esportiva saudável, de modo que todos possam participar de maneira igual. Jogando o mesmo tempo, aprendendo os mesmos conteúdos, ou seja, tendo as mesmas oportunidades. Participando com a mesma frequência e sentindo o gosto da vitória e da derrota na mesma proporção.

Gabriel Silva é licenciado em educação física e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Futebol: a arte do pé na bola



Texto escrito por Igor Moreira

Não raras vezes retóricas sobre o futebol estão atreladas ao senso comum e são manifestadas em diversos lugares, como em rodas de amigos, locais de prática esportiva, entre tantos outros. Uma das falas mais recorrentes é que jogar futebol é fácil; como o jogador que só faz isso na vida, conseguiu a proeza de perder aquele gol; não se faz mais jogadores como antigamente. Essas e tantas outras falas de cunho popular, integram o mundo do esporte bretão. 

Mas afinal, o que é esse jogador de antigamente?  Por que não se faz mais jogadores como antigamente?

Nem de forma imperativa pretendemos concluir algo de tamanha complexidade, mas sim, buscar proposições sobre o esporte mais popular do mundo, nesse primeiro momento, com base em aporte teórico, trazermos elementos nas áreas da sociologia e antropologia que irão subsidiar a nossa tentativa de interpretar a forma única de se jogar futebol no planeta, ou ao menos já foi. E no próximo artigo levantar a “bola” da discussão, sobre o processo de “engessamento” do nosso futebol. 

Apropriando da descontração do professor João Batista Freire, quando brincou que o futebol é o esporte mais difícil do mundo, porque bola está mais longe do cérebro do que em outras modalidades, ao menos que se refere a esportes coletivos. Saindo do campo da irreverência, o futebol é muito complexo por se jogar com os pés, sendo que a nossa coordenação de movimento historicamente é mais desenvolvida pelos membros superiores, a arte da caça e da pesca, que eram ações para sobrevivência humana, não nos deixa mentir. 

O Brasil motivado pelo processo de escravatura começou desenvolver habilidades nos membros inferiores dos escravizados aproveitando a “bagagem cultural” que trouxeram pelo samba e a capoeira.  Essas manifestações culturais serviram de certa forma para sobrevivência dos escravizados. O samba pela manutenção da cultura Africana e a capoeira, pelo ato de defesa desses que foram trazidos forçosamente para terras tupiniquins, mas que acabou influenciando a nossa maneira de fazer futebol.

Essas habilidades com os membros inferiores, ou essa “alegria nas pernas”, relembrando o treinador Felipe Scolari, o Felipão, foram preponderantes para construção da forma peculiar de jogarmos. 

O jogo é oriundo da terra da rainha, mas o drible, a magia, a poesia chamado futebol é genuinamente brasileira. Bem como disse o antropólogo Roberto Da Matta (2006, p. 157) que o Brasil reinterpretou a forma de jogar futebol, pois para ele “O fato é que esse jogo britânico do ‘pé na bola’ foi reinterpretado no Brasil como a arte da 'bola no pé', o que mudou tudo”.

Ao contrário dos países europeus, no Brasil o clima tropical fez com que colocássemos a bola ao chão e exalássemos todo o nosso talento, com arte da bola no pé, em processe antagônico ao velho mundo, que necessitava dos jogos aéreos, devido as neves que pairavam em seus campos.

O futebol deixara de ser apenas um esporte e adentrava ao campo da arte, da plasticidade, e de forma poética. O discutido sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, autor do clássico “Casa grande e senzala”, proliferou as seguintes palavras: 

[…] O nosso estilo de jogar futebol parece-me contrastar com o dos Europeus, por um conjunto de qualidades de surpresa, de manha, de astúcia, de ligeireza e, ao mesmo tempo, de brilho e de espontaneidade individual em que se exprime o mesmo mulatismo de que Nilo Peçanha foi até hoje a melhor afirmação na arte política. Os nossos passes, os nossos pitus, os nossos despistamentos, os nossos floreios com a bola, há alguma coisa de dança e de capoeiragem que marca o estilo brasileiro de jogar futebol, que arredonda e às vezes adoça o jogo inventado pelos ingleses, e por eles e por outros europeus jogados tão angulosamente, tudo isso parece exprimir de modo interessantíssimo para os psicólogos e sociólogos, o mulatismo flamboyant e, ao mesmo tempo, malandro que está hoje em tudo que é afirmação verdadeira do Brasil. (FREYRE, 1938, apud MARANHÃO, 2006, p. 441).

Contudo essa idiossincrasia brasileira de jogar futebol foi se perdendo com passar dos tempos, o esporte bretão adentrou a lógica de mercado e as mutações do estilo brasileiro de jogar tornaram- se inevitáveis.  

Mesmo com as metamorfoses ou evolução do futebol, a paixão por esse esporte mantém-se em lugar privilegiado em nossos corações. Como a plasticidade de um jogo, a semântica de Canale (2012) para se referenciar ao futebol, resumo todo o sentimento o que é “jogar bola”:

As emoções mais viscerais que em primeiro lugar vêm à minha mente são as do futebol. Os jogos que eu joguei, aqueles à que assisti, moram em lugares que variam do obscuro aos mais luminosos da minha memória. Sentir o coração parar de aflição segundos antes de uma cobrança de pênalti, esquecer-se das agruras da vida com o prazer de um gol, de um título, se sentir mais vivo só de saber que em algum lugar existirá um futebol, bem ou mal jogado, te esperando, tanto faz, pois lá estará uma bola rolando no chão. (CANALE, 2012, p.17).


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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A formação para o ensino do esporte

 

Texto escrito por @teo.pimenta

O esporte tem como intencionalidade formar atletas, nesta perspectiva, além do ensino e do aprimoramento das necessidades motoras, cognitivas e comportamentais das crianças e adolescentes para o esporte, é importante, conforme destacou o prof. João Batista Freire, ensinar para além do esporte.

[...] O Brasil deveria ter um plano nacional de educação esportiva que oportunizasse a todas as pessoas o direito de aprender esportes e praticá-los da forma que melhor lhe conviesse. Porém, as políticas públicas para o esporte educacional são poucas e precárias. Pelas características do Brasil e pelo momento atual, são necessários maciços investimentos em educação. E essa educação não pode ser somente a educação escolar tradicional. Precisamos de esporte educacional, de Arte-Educação, de educação para o trabalho, de saúde na escola, de Educação Ambiental, e assim por diante. [...]. (FREIRE, 2012, p. 51).

Fomentar boas práticas didática-pedagógicas que visem a educação por meio do esporte para todos os cantos do Brasil é um desafio que deveria ser liderado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por meio de parcerias entre entidades públicas e privadas. Desta forma, surgiram debates, reflexões e propostas e programas eficazes no ensino do esporte, assim, também outro desafio seria a formação de professores competentes para atender esta perspectiva. Devemos incentivar a formação de profissional de educação física pra atender os objetivos educacionais por meio do esporte.

No esporte é natural valorizar os profissionais campeões, no entanto, cabe destacar, seria pertinente produzirmos colecionadores de títulos em categorias menores, em detrimento do cumprimento dos etapas na trajetória da formação esportiva de crianças e adolescentes. As instituições que trabalham com o esporte devem refletir criticamente suas ações e entender de uma vez por todas que os resultados não são parâmetros para avaliação de um trabalho.

Um programa de formação esportiva deve envolver conhecimentos relacionados a educação, esporte e lazer. E todas as cidades do Brasil deveriam desenvolver programas de formação para profissionais do ensino do esporte, e as escolas de esporte iriam compor esse sistema, desta forma, poderíamos otimizar os espaços das escolas de tempo integral, potencializar os projetos bem sucedidos que já são realizados e o mais importante, levar os benefícios da prática e formação esportiva para todas as crianças e jovens participantes.

Questionamos o modelo atual da escola de tempo integral, que se utiliza do esporte como uma atividade sem finalidades, apenas para preencher o tempo dos alunos, assim, são incapazes de fazer o esporte uma ponte para a educação, no entanto, sejamos justos com propostas que procuram ensinar valores por meio do esporte. Entende-se que ensinar esporte requer profundidade no conteúdo ensinado, algo pouco visto nos programas de ensino do esporte. Ressaltamos, não queremos generalizar esta crítica, pois sabemos que há bons trabalhos realizados por competentes profissionais. 

É importante deixar claro que sabemos da função social da educação física escolar que seria  abordar o fenômeno esporte como um assunto ou conteúdo da disciplina, em um passado recente a educação física escolar tratou o esporte como o seu conteúdo exclusivo, no entanto, as propostas mais recentes discutem a ampliação e diversificação dos conteúdos ensinados pela educação física no contexto da educação regular, caso do PCN (1996), um importante documento que exigiu a inserção de outros elementos da cultura corporal e o esporte passou a ser mais um dentre os conteúdos nas aulas de educação física, porém, torna-se um desafio mudar a visão esportivizada da educação física na escola. 

Assim, cabe destacar a importante da construção de programas regionais ou nacionais de formação profissional para o ensino do esporte, desta forma, será possível contribuir para o desenvolvimento do esporte para todos as pessoas.


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