quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A importância de parceria entre educador físico e psicólogo do esporte


Texto escrito por Gabriel Silva e Laís Matos

No âmbito esportivo, é comum ver atletas, não somente os de alto rendimento, apresentarem comportamentos que são considerados como inadequados pela ótica da ética, socialização e respeito. Esses comportamentos podem ser justificados por conflitos internos (mau gerenciamento das emoções) e por conflitos de relacionamento intragrupal (entre os membros da equipe). A falta do manejo das emoções, da ansiedade, bem como a falta de estimulação de habilidades cognitivas e sociais, podem afetar diretamente no desempenho esportivo.

O esporte é um fenômeno econômico e social que tem papel fundamental na formação humana e por mais que ele por si só possa ser utilizado como ferramenta de educação psicossocial nem sempre será suficiente para todas as questões. A prática esportiva desperta emoções, sentimentos, estados de humor de uma forma única. É nessa hora que se vê a importância do profissional da Psicologia do Esporte atuar em conjunto com o Educador Físico. Segundo Bompa (2002) o treinamento psicológico é fundamental para garantir desempenho físico, disciplina, confiança e coragem, características extremamente importantes para o ser humano.

No esporte precisamos tratar não somente o indivíduo, mas o funcionamento dos membros enquanto equipe, incluindo, por exemplo, esportes de desempenho individual (como natação) em que o atleta ainda assim não está sozinho, ele tem uma equipe de suporte que deve ser incluída no contexto, bem como em todos os outros casos de esportes coletivos. O ideal seria ter a presença do profissional especializado na área esportiva para fomentar estas questões. Mas o que ainda impede parcerias de maior extensão no esporte entre profissionais dessas duas áreas? Seja no âmbito escolar, clubes ou projetos sócio-esportivos? Será pela falta de recursos financeiros? Desconhecimento da importância de se trabalharem juntos? Ou apenas resistência?

Tite, treinador referência no futebol brasileiro, logo depois de assumir a seleção brasileira disse: “demora muito tempo para os jogadores e a comissão técnica abrirem o coração para um psicólogo” Globoesporte.com (2015). Podemos concordar com essa afirmação, considerando que existe uma resistência humana natural em falar de si mesmo, e de que cada um tem sua individualidade que deve ser priorizada no tratamento, esse processo pode e deve demandar o tempo que for necessário, além das questões grupais que precisam ser elaboradas e organizadas. E, se parar para pensar, toda conquista requer pequenos passos, anos de treino para ganhar uma copa, uma olimpíada, e porque não se esforçar para ser uma pessoa emocionalmente melhor?

Convenhamos, ainda existe um preconceito grande com a área psicológica no esporte, até que esta seja a última esperança. E te pergunto, porque esperar chover para pensar em se preparar para se proteger da chuva, se você já tem todos os sinais de que vai chover? Ou seja, porque esperar o emocional dos educandos ou do próprio profissional se desgastar por completo para começar a se atentar a ele? No olhar da atual sociedade imediatista que temos com respostas rápidas para questões complexas, parece inviável investir em cuidados para algo que está em funcionamento. Por isso, é importante olhar com mais carinho a psicologia do esporte no contexto esportivo e buscar meios para que esta parceria não seja apenas um desejo, mas uma realidade.


Gabriel Silva é licenciado em educação física pelo Centro Universitário Módulo e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal busca contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP. 

prof.gabrielsilva@outlook.com


Laís Matos é licenciada em Psicologia pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL), e estudante da Psicologia do Esporte. Atua na prática clínica na cidade de Ubatuba – SP.

psicolaismatos@gmail.com

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

O que podemos aprender com as grandes potencias mundiais

 


Texto escrito por Téo Pimenta

Num passado recente, antes dos Jogos Olímpicos realizados no Brasil (Rio-2016) a realidade brasileira com relação à educação física, conforme o Censo Escolar de 2013 demonstrou que 32%  das escolas da rede pública de ensino fundamental possuíam quadras, esta porcentagem aumentava em 57% na rede privada e respectivamente, nas nas escolas de ensino médio, 75,5% na rede pública e 81% na rede privada. Demonstrando o desinteresse brasileiro pela educação física, e após os Jogos Rio-2016, o que mudou?  

Neste mesmo período a imprensa brasileira se viu na obrigação de observar a realidade da educação física e do esporte em potencias como: Inglaterra, Estados Unidos e Japão e realizar comparativos. E observaram estruturação, organização do trabalho e metodologia na práticas da educação física e esportivas. 

Pensamos em projeto esportivo associado a educação, não substituindo a educação física pelo esporte, muito pelo contrário, seria utilizá-lo como uma atividade extra-curricular, destinando o aumento carga horária para a prática esportiva. Cabe ressaltar que o modelo da educação física escolar brasileira, tem como característica apresentar uma gama de atividades da cultura corporal. Sendo assim, o esporte é tratado como um dos conteúdos a se apresentar aos alunos nas aulas. Desta forma, os projetos que utilizaram exclusivamente do esporte, podem ser incorporados nas escolas de tempo integral, assim, incorporando os bons e bem sucedidos exemplos apresentados pelas grandes potencias esportivas mundiais. Dos quais seguem abaixo:

Na Inglaterra os alunos realizam uma média de 6 horas de educação física semanais, a média mundial é de aproximadamente 2 horas semanais, inclusive no Brasil. Nos anos 80 e 90 a Inglaterra não valorizava a educação física e a partir de pesquisas realizadas por instituições como a Sport Impact identificaram que o esporte poderia ser utilizado na prevenção de doenças, melhora na qualidade de vida e intervenção na violência. Um grande exemplo apresentado pelos ingleses é a escola Millfield que possui uma estrutura fantástica e uma metodologia que privilegia as práticas esportivas. Em sua história formou 68 atletas entre olímpicos e paraolímpicos e conquistou 12 medalhas olímpicas para o Reino Unido. 

Nos Estados Unidos os alunos entre 6 e 10 anos realizam aproximadamente 150 minutos e os de 11 aos 17 anos aumentam para 225 minutos semanais de educação física, esta legislação federal é seguida por 38 dos 50 estados norte-americanos. Outro ponto a se destacar são uma presença de voluntários, que tem a função de desenvolver e conduzir as equipes escolares nos seus respectivos jogos e competições locais, regionais e nacionais. O ex presidente norte-americano Barack Obama disputou competições escolares de basquete e grandes líderes destacam a importância do esporte na formação humana das pessoas.

O Japão destina 3 aulas semanais de educação física nas escolas da educação básica e possibilita a adesão aos alunos, a partir dos seus interesses de se inscreverem em programas de práticas esportivas extra-escolares, somando mais duas horas de atividade física, estas atividades extra-escolares são conduzidas por professores da própria escola. Outro projeto de destaque realizado pelos japoneses são as palestras e oficinas com os atletas olímpicos nas escolas, programa que tem como intenção incentivar os alunos da prática esportiva. 

Estas são algumas das propostas e exemplos das grandes potencias mundiais, na última Olimpíadas realizada no Brasil em 2016, os Estados Unidos obteve a 1ª colocação e conquistou 121 medalhas, o Reino Unido ficou em 2º colocado e o Japão em 6º colocado. Exemplos que podem nos auxiliar na reflexão e construção de propostas para o desenvolvimento do esporte brasileiro. Ressaltamos que o esporte, mundo a fora, se constitui como um elemento, real, que contribui para formação humana, conforme constatado nos seus resultados tanto esportivos quanto sociais.


Téo Pimenta é mestre, professor no curso de educação física da Faculdade Anhanguera de Taubaté e diretor do IEVALE. 


O Instituto Esporte Vale atua na formação de profissionais competentes para o ensino do esporte. 

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Estratégias para ensinar o esporte


Texto escrito por José Martins Freire Júnior 

A Educação Física tem buscado, ao longo dos anos, avançar e superar os modelos dominantes da área, tecnicismo e esportivismo, contudo, o cotidiano escolar ainda é composto por práticas esportivas que produzem fortemente estes modelos (CORREIA, 2006).

Percebe-se a presença de tais modelos nas aulas de educação física escolar, pois em sua grande maioria, os profissionais dão ênfase às técnicas esportivas, e com isso os alunos são ensinados através de exercícios que buscam aprimorar a técnica necessária para tal prática. No entanto, vale lembrar que o indivíduo é um ser sociocultural e as aulas voltadas apenas para a técnica esportiva colabora para a fragmentação da formação integral dos mesmos e alguns aspectos importantes não são desenvolvidos, como: respeito mútuo, a cooperação e afetividade que são a base para viver em sociedade (GUIMARÃES, et al., 2001).

Em oposição aos modelos dominantes (tecnicismo, esportivista e o biologista) começam a surgir na década de 70 novas abordagens com o intuito de trazer uma maior ação e reflexão da educação física e com isso tentar atender às diferentes dimensões do ser humano. Algumas abordagens foram bem impactantes: a psicomotora, a construtivista, a desenvolvimentista e as abordagens críticas, que puderam colaborar para ampliação das práticas pedagógicas educacionais e também a visão da área em relação aos possíveis conteúdos a serem ensinados (BRASIL, 1998). 

O PCN nos lembra que "em relação ao âmbito escolar, a partir do Decreto n. 69.450, de 1971, considerou- se a Educação Física como “a atividade que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando”. (1997, p.22)

A história nos conta que nesse período a educação física escolar, continuou com seu enfoque na aptidão física, também não pudera ser diferente, pois o país se encontravam em meio ao período mais sombrio de sua história, estávamos em plena ditadura militar. O esporte nessa época era usado pelos governantes como produto de massificação e alienação da população brasileira. 

Abro um parêntese para relembramos e elucidarmos o que foi dito, tomando como exemplo o programa “Esporte para Todos”, o EPT, programa de cunho político, que foi uma manobra eficaz de alienação da população através do esporte. Segundo Castellani Filho (2008),

Foi também no início dos anos 70, que começou a ganhar corpo, o depois conhecido como Movimento “Esporte para Todos”, o EPT... “Braço direito do Desporto de massa, apresentado como uma proposta de esporte não formal, inspirado no quadro teórico da Educação Permanente, encontrou o EPT, campo fértil para sua propagação em nosso país, a partir da necessidade sentida pela classe dominante, de convencer aos segmentos menos favorecidos da sociedade brasileira, de que, o desenvolvimento econômico propalado na fase do “milagre”, tinha correspondente, no campo social (CASTELLANI FILHO, 2008, p. 116).

Retomando o assunto central, infelizmente muitos professores ensinam para seus alunos a exclusão dos menos habilidosos. A trapaça e a falta de respeito são atitudes normais presentes no ambiente esportivo, pois são aspectos importantes para a conquista das vitórias. Além disso, reforça que a justiça, a igualdade de oportunidades, dentre outros valores éticos que podem ser melhorados com a prática esportiva, não são importantes e até podem atrapalhar os triunfos nas competições (KORSAKAS; ROSE JÚNIOR, 2002).


O professor José Martins Freire Júnior é mestre em educação física e docente nos cursos de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC e da UNISAL/Lorena.


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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Ser otimista ou realista na formação?



Texto escrito por Gabriel Silva

Recentemente, Rafael Nadal venceu pela 13° vezes o Rolland Garros, para se ter uma ideia do quanto significativo representa esses títulos, Guga, o maior ídolo brasileiro no tênis, que tanto orgulho deu ao país, além de ser referência mundial, conquistou em sua carreira 3 títulos de Rolland Garros (1997, 2000 e 2001). Assim, Nadal atingiu um patamar quase que impossível, apesar de atualmente ser apenas o número 2 do mundo, atrás de Djokovic.

Imigrando para o basquete, também recentemente Lebron James chegou a sua 10° final de NBA. Oito foram disputadas em sequência. Número este assustador. Além disso, é o maior pontuador, o jogador com maior número de vitórias, com o maior número de roubadas e também de cestas convertidas. A cada partida Lebron bate uma série de recordes, o craque tem mais finais do que muitas equipes da NBA.

São marcas que certamente ficaram para a história do esporte, porém além desses astros, quantas crianças não tentaram ou tentam chegar no patamar que estes atletas citados chegaram? No Brasil é comum a criança ter o sonho de ser jogador de futebol como o Neymar. Muita das vezes apoiada pelos pais, familiares e principalmente professores e treinadores. Por isso, a reflexão que trazemos vai no sentido de que: até que ponto temos benefícios em alimentar estes sonhos nas respectivas crianças?

Quantos atletas tem como referencial astros como Rafael Nadal ou Lebron James no esporte no Brasil? Um a cada 100 anos? Um a cada 1 milhão? Felizmente ou infelizmente esta é a realidade do esporte. E qual será o papel do profissional da Educação Física neste processo?

É importante o professor incentivar e motivar o aluno ao caminho do alto rendimento se o mesmo desejar, porém, é crucial que seja sempre refletido junto ao mesmo que as chances são poucas. Essa é uma medida para minimizar uma frustração futura do atleta caso não venha conseguir. Como diz um ditado popular: “quanto maior a altura, maior a queda”.

Seja no contexto escolar, projeto socioesportivo, clubes de treinamento estímulo desde a infância a buscar como carreira esportiva é totalmente compreensível, mas desde que conciliado com uma formação educativa por intermédio do esporte. Por isso, que os objetivos da prática devem ser revistos com frequência pelo profissional.

Ao invés de apresentar ícones esportivos como referência, o ideal é que o próprio aluno/atleta se auto referencie e busque evolução com base em seus próprios rendimentos. Ou seja, ser melhor a cada dia e não melhor que os grandes ídolos esportivos. Esta é mais uma estratégia para que a formação ganhe sentido, não seja temporária e sim definitiva na vida do educando, já que o esforço será o condutor do mesmo e não uma vontade insaciável de conseguir igualar os grandes astros do alto rendimento.

Portanto, abrimos aqui mais uma importante reflexão a vocês professores, atuante no ensino do esporte, formador de pessoas, no sentido de observar como devemos agir nestas situações quando o esporte é uma possibilidade de carreira.


Gabriel Silva é licenciado em educação física pelo Centro Universitário Módulo e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP. 

prof.gabrielsilva@outlook.com


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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

As perspectivas para o ensino do esporte


Texto escrito por Téo Pimenta

Quando pensamos em ensino inovador, o que imediatamente nos vem a mente, algo que esta mais propagado no contexto atual, no entanto, não fazemos a devida avaliação se o que esta sendo apresentado é pertinente ao meu contexto de ensino ou atende meu objetivos e metas pedagógicas. 

Na maioria das vezes propostas relacionadas ao ensino híbrido, que muitos dizem ser inovadoras, nada mais são que propostas que buscam realizar uma junção entre a teoria e prática, alinhado com a utilização da tecnologia no ensino, não traz nada de inovador.

Vale destacar que muitos professores estão numa busca constante por ideias inovadoras que aliem teoria e prática, inovação no sentido de boas práticas que potencializem aprendizado do seus alunos. Procurando desenvolver propostas que visem uma maior participação dos alunos, provocando estimular engajamento dos aprendizes nas suas ações pedagógicas, estes são sempre desejos de profissionais comprometidos.

Nos deparamos com inúmeras técnicas que visavam o desenvolvimento do aluno como ser participativo, entendendo que há diferentes formas de aprendizado, assim, as metodologias ativas podem ganhar um sentido, desde que tenha o aluno como um elemento central do processo de ensino-aprendizagem e o professor como parte da metodologia, incumbindo-se de mediar, organizar, supervisionar e orientar o aluno dentro de todo esse processo, acompanhando-o.

Com a pandemia e a necessidade do isolamento social, emergiu o desafio dos professores em dar sequência de forma remota nas ações pedagógicas, houve a necessidade de utilizar os recursos tecnológicos, surgir dificuldade e adaptação ao longo do processo está dentro de uma normalidade, entre acertos e erros, os professores foram descobrindo os caminhos e construindo estratégias de interação com os alunos. Surgiram situações de diferentes níveis de dificuldades e complexidades, os professores se adaptaram rapidamente, assim, cumpriu seu papel de motivar e estimular os alunos a se descobrirem neste momento delicado.

No processo observou-se o desenvolvimento do aluno, a construção de habilidades e competências individuais e coletivas fundamentais para o contexto atual, coube aos professores criar oportunidades dos alunos se desenvolverem de forma colaborativa, estimulando habilidade como autonomia e liderança nos alunos.

Acredita-se que o aluno deve ser o responsável da construção do conhecimento, tendo o professor como um elemento facilitador. Ao professor cabe refletir o como conseguimos estimular uma cultura do aprendizado. É importante ressaltar que o professor cria o problema, cabe o aluno de forma colaborativa identificar os caminhos, situações e as respostas são individuais e diferentes frente ao problema apresentado. 

Neste caso, um exemplo ilustrativo, o professor apresenta um problema e o aluno tem que resolver o problema, no entanto, deve existir uma interação com o conteúdo que o aluno aprende, neste caso. As metodologias ativas, mencionada com certa frequência neste Blog, possuem estas características, podendo ser a partir de problemas, os alunos procuram buscar por possíveis resoluções, esta é apenas um exemplo de como podemos explorar esta possibilidade metodológica. 

Aos professores cabem, de forma estratégica, estimularem o protagonismo dos alunos, supervisionam todo o processo de ensino e aprendizado, e o mais importante, propagar cultura do aprender a aprender a todos os envolvidos, utilizando-se da tecnologia como meio, uma das suas aliadas no processo.


Téo Pimenta é mestre, professor no curso de educação física da Faculdade Anhanguera de Taubaté e diretor do IEVALE. 


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Prática esportiva nas aulas de Educação Física: um reflexo da sociedade

 


Texto escrito por José Martins Freire Júnior 

É visível que o esporte, para ser desenvolvido nos moldes e nos padrões de alto rendimento, necessita de inúmeras exigências que cada vez menos pessoas conseguem atender o exigido, porém ainda é o modelo que muitos seguem. Existindo uma falsa consciência de que o esporte de alto rendimento é o modelo mais apropriado para prática esportiva de todos. Além disso, muitas vezes os profissionais de educação física não percebem o poder dessa falsa consciência e se tornam agentes reforçadores deste modelo (KUNZ, 2006). 

É na escola que encontramos uma grande busca pela prática esportiva, este fato não pode ser negado, porém a escola parece não acreditar nas possibilidades e na função educativa da esporte competição. Pois, para que esporte de competição tenha uma maior credibilidade no meio escolar é necessário que alguns paradigmas sejam quebrados, tais como: vencer a qualquer custo, individualismo e a intensa busca por resultados. Diante disso, a competição escolar deve ser embasada em alguns pilares: cooperação, valores sociais, coeducação, cooperação, participação, autonomia e pluralidade cultural (REVERDITO; SCAGLIA, 2009).

O esporte escolar por vários anos vem sofrendo inúmeras críticas por copiar o modelo de esporte de alto rendimento. De acordo com Taffarel (2000), esta manifestação do esporte da maneira como é desenvolvida na Educação física escolar não colabora para a diminuição da desigualdade social, pois os objetivos propostos não estão unificados com os anseios voltados para uma sociedade mais justa e igualitária, mas segue pelo caminho inverso, favorece e aumenta a desigualdade entre os indivíduos.

Paes (2001), referenciando Orlick (1978), sobre a relação esporte e sociedade descreve que:


os jogos e os esportes são reflexos da sociedade em que vivemos, mas também servem para criar o que é refletido. Muitos valores importantes e modos de comportamento são aprendidos por meios das brincadeiras dos jogos esportivos (ORLICK, 1978, apud PAES, 2001, p. 79).


Se por um lado, as práticas esportivas, as ginásticas, as artes marciais, as danças e as práticas para aptidão física estão sendo transformados em produtos comerciais que difundem a ideia da cultura corporal de movimento  e isso é positivo, mas por outro, alguns aspectos são preocupantes: crianças e adolescentes entram em contato precocemente com alguns esportes e práticas corporais inspiradas em modelos para os adultos, o estilo de vida veiculado é sustentado pelas novas condições socioeconômicas (capitalismo/ consumismo, poluição, violência e diminuição dos espaços de lazer) (BETTI; ZULIANI, 2002).

Esse novo modelo de vida tem como ponto de preocupação as inúmeras possibilidades de condições que colaboram para que as pessoas assumam uma postura sedentária e que as crianças e adolescentes aumentem o número de horas em frente aos recursos audiovisuais. Isso favorece, assim, o abandono dos jogos e brincadeiras populares e ainda colabora com uma possível substituição das experiências práticas esportivas pelo simples fato de ser um espectador esportivo (BETTI; ZULIANI, 2002).

Essa dialética da vida contemporânea é um dos maiores desafios que os profissionais da Educação Física tem que enfrentar: 1- temos a propagação das atividades esportivas por meio dos veículos de comunicação, captando assim novos adeptos para essas práticas, que vislumbram o sucesso na vida via esporte (imagem que é vendida), 2- mas para o tão esperado sucesso, o que ocorre é uma precocidade na inserção de crianças ao mundo dos homens, 3- a questão também perpassa  pelo mundo tecnológico, massificador da lógica do capital, cria diversos produtos que prendem a atenção da população em geral, em especial crianças e adolescentes, fazendo com que essa parcela da população se tornem “reféns” de suas invenções, construindo assim uma população mais sedentárias, obesas, com diversas doenças. De protagonizador do esporte o que se têm são espectadores do esporte. 

Em muitos momentos a tarefa do professor não foi a de possibilitar oportunidades a todos os alunos para que pudessem descobrir e vivenciar cultura corporal de movimento, mas, captar os alunos biologicamente mais bem-dotados, treiná-los com o intuito de levá-los a conquistarem espaços em equipes esportivas e, a assim, representarem a escola ou outras instituições. Parece que tal processo de seleção era algo quase que inconsciente no docente, que em muitos momentos habita o imaginário social da educação física escolar, a partir disso, pode-se perceber a dificuldade dos professores em desenvolver os trabalhos em turmas heterogêneas (DAOLIO, 1996).


O professor José Martins Freire Júnior é mestre em educação física e docente nos cursos de educação física da Escola Superior de Cruzeiro - ESC e da UNISAL/Lorena.


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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Mercado de trabalho do Educador Físico


Texto escrito por Gabriel Silva

Desde 2004, a formação em educação física foi dividida entre o curso licenciatura e bacharelado. Esta divisão ocorreu na busca de atender a demanda das escolas e colégios, pois a maioria dos profissionais que nas oportunidades possuía a formação “plena” optava por atuar na área do bacharel carecendo a área da licenciatura. Por consequência, o período de graduação dos licenciados reduziu de 4 para três anos, enquanto o bacharel se manteve em oito semestres. 

Atualmente, segundo dados do CONFEF (Conselho Federal de Educação Física), há 390.766 registros profissionais ativos de pessoas físicas no Brasil e 43.320 pessoas jurídicas.

Uma pesquisa realizada no final de 2018 pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) elaborado pela Secretaria do Trabalho, apontou que a educação física está em sétimo lugar entre as posições que mais obtiveram contratações formais, sendo um total de 12.205. A liderança coube a Enfermagem que obteve 23.533 contratações formais.

Apesar destes números significativos, cabe uma reflexão, como melhorar em suas respectivas áreas a ampliação ou desenvolver novas possibilidades de atuação e como ingressar no mercado aqueles que ainda não obteve tais oportunidades.

A primeira observação da qual apontamos é a especialização e se atualizar constantemente. Ao se especializar e se atualizar o profissional tem a capacidade de observar as possibilidade de atuação e oportunidades, ou seja, melhora seu entendimento das demandas o mercado de trabalho e também poderá aumentar a sua credibilidade perante ao público, gerando diferenciais em um possível processo de seleção.

Há inúmeras possibilidade dentro do mercado, desde migrar para pesquisas, ciências e até a literatura. Aliás, na produção de um bom livro ou algum outro conteúdo literário que envolva a Educação Física pode-se gerar meios de faturamento. Outras opções são a aplicação de cursos; palestras; aulas particulares; treinamento (em diversos aspectos); Enfim, ficará sempre o convite para o profissional se reinventar dentro de sua modalidade de atuação. 

Vale ressaltar que o mercado de trabalho atualmente tende a oscilar perante a tal realidade econômica do país. Tudo isso nos leva de volta a mesma reflexão: Como se reinventar?

Embora rendimentos financeiros seja o alvo principal, o marketing pessoal pode ser uma importante estratégia no atual cenário. Prestar serviços a favor da sociedade de maneira gratuita e espontânea pode gerar identificação do profissional com um eventual público futuro. Além de contribuir na aquisição de experiência. Ser útil socialmente e poder desenvolver possibilidades de atuação num futuro próximo. 

Entretanto, todas estas alternativas está interligado aos estudos, isto é, independente das estratégias do profissional o aprendizado e a obtenção de novos conhecimentos são imprescindíveis. Quanto mais dominar dos conteúdos da área da qual pretende atuar, melhores serão os resultados. E neste processo, possivelmente haverá a necessidade de investimentos financeiros. Porém basta saber analisar a diferença entre preço e valor.

Portanto, sempre haverá oportunidades do profissional no mercado de trabalho, desde que se reinvente constantemente e não entre na zona de conforto. Deixe suas sugestões dos possíveis campos de atuação para o profissional de Educação Física. 


Gabriel Silva é licenciado em educação física pelo Centro Universitário Módulo e idealizador do Projeto Joga Mais que a partir da prática do futsal procura contribuir na formação de crianças e adolescentes de Ubatuba/SP. Email: prof.gabrielsilva@outlook.com


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